Arquivo do mês: maio 2011

Bocada da semana: os vinhos do free shop do Brasil (relação custo benefício)

Estava fazendo a seleção de vinho(s) para a coluna “BOCADA DA SEMANA” de nosso blog, até que um e-mail me fez mudar os rumos do post. Uma querida amiga (que está viajando para o exterior) solicitou a indicação de alguns vinhos, na linha custo beneficio, para comprar no Free Shopping do Brasil (Guarulhos) no seu desembarque. O fato me animou a escrever sobre o tema e listar alguns vinhos, pois, de fato, há exemplares que valem a compra no Free Shop (mas fiquem atentos, pois há também muitos vinhos que os preços praticados no Dutty Free brasileiro não justificam a compra). No espaço limitado do post que segue, atendendo a solicitação da minha amiga, só listarei os vinhos até US$ 30,00 (trinta dólares), pois a pretensão dela (que acaba casando com boa parte dos amigos que acompanham o blog) são as compras na relação custo benefício.

 Dicas na hora da compra (fique atento) Antes de apresentar sugestões que se encaixam como “bocadas”, alguns alertas na compra de vinhos no Free Shop dos aeroportos brasileiros:

Primeiro alerta (não use o cartão de crédito). – Se puder pagar em dólar (nota sobre nota, ou seja, “cash”) melhor. Isso porque com o uso do cartão internacional (isto é, com pagamento em cotação de moeda estrangeira – dólar) haverá o acréscimo do IOF (hoje no importe de 6,38%!!!). Por outro lado, se fizer a compra no cartão para pagar em real, haverá a incidência de cotação maluca do Free Shop que é sempre muito, mas muito, majorada (na minha última viagem ao exterior, o dólar estava abaixo da casa dos 1,70 e a cotação do Free Shop era 1,85….). Só há uma vantagem no pagamento em real via cartão: existe a possibilidade de parcelamento (mas o acréscimo é alto, faça as contas). Portanto, a primeira dica pague em “din din americano” (dólar).

 Segunda dica: se possível faça uma reserva prévia pelo site (http://www.dutyfreedufry.com.br/DutyFree/html/sac.asp?p=sac_reservas). A reserva não te vincula, ou seja, você pode mudar os vinhos na hora de pagar (ou mesmo descartá-los). Contudo, já adianta sua vida, especialmente se você estiver em trânsito, necessitando de outra conexão. Fora isso, é muito comum que o Dutty Free forneça descontos (em regra de 5%) para a reserva com antecedência (ao menos em alguns produtos). Os vinhos reservados ficam separados e devidamente embalados.  Desembarcando, basta ir ao caixa do Free Shop e entregar o número da sua reserva ( e, é obvio, com documentação para a identificação).

Terceira dica: Há grande rotatividade de vinhos no Free Shop do Brasil, contudo as regras de escolha dos vinhos devem ser as mesmas que fazemos nas lojas, em especial nos supermercados. Evite os vinhos do balcão, muito expostos à luz e ao manuseio de todos. Se for comprar uma quantidade maior, não custa pedir ao vendedor para abrir nova caixa.

Nossa lista de vinhos do free shop do Brasil até US$ 30,00 (relação custo benefício) – Como, independentemente do valor, cada passageiro só pode trazer 12 (doze) garrafas, limitei minhas sugestões (apesar de ter outras) de vinhos (custo benefício) até US$ 30,00. Todos os vinhos listados, contudo, são bem conhecidos do público brasileiro e alguns estão com ótimos descontos de verdade. Vamos lá então:

  •  Vinhos norte americano (dicas de dois vinhos)

Robert Mondavi Zinfadel e Robert Mondavi Cabernet Sauvignon – Qualquer um dos dois (Zinfadel ou Cabernet Sauvignon) é encontrado no Free Shop por US$ 18,50, sendo vendido no nosso mercado normalmente acima de R$ 70,00. Confira:  https://seguro.adegabrasil.com/produto.php?referencia=1266; http://www.viavini.com.br/produto/Robert-Mondavi-Private-Selection-Zinfandel; http://www.wine.com.br/vinhos/mondavi-private-selection-zinfandel-2008/prod376.html

  •  Vinhos argentinos (dicas de cinco vinhos)

 Amancaya – Este vinho é produzido pela bodega CARO (e possui  paladar bem internacional). Sai no Free Shop por US$ 18,50 e seu preço no mercado nacional não é inferior a R$ 54,91 (preço praticado pela importadora – Mistral) http://www.mistral.com.br/searchresults.aspx?searchtype=0&skeyword=amancaya&iddept=0.

 Zuccardi Q – “Pacote promocional” com três garrafas, sendo um Malbec, um Tempranillo e um Cabernet Sauvignon. Os vinhos são vendidos conjuntamente no “pacote” que custa US$ 87,00 (US$ 29,00 por cabeça). São vinhos de padrão muito bom e com premiações variadas (sou suspeito, pois sou fã do Tempranillo em especial). Em minha opinião, este “pacote” está entre as melhores “bocadas” do Free Shop.  No Brasil cada garrafa é vendida na faixa de R$ 100,00 (isso mesmo R$ 100,00). Confira: http://www.viavini.com.br/produto/Zuccardi-Q-Malbec; http://www.jwine.com.br/products/Zuccardi-Serie-Q-Malbec.html; http://www.vinhocracia.com.br/vinhos/vinho-tinto-zuccardi-q-tempranillo.html

 

Vinhos chilenos (dois vinhos)

De Martino Legado Cabernet Sauvignon Reserva e  e De Martino Legado  Carmemére – Varietal (de bom peso) que é vendido no Free Shop ao preço de US$ 15,00, independentemente da uva (Cabernet Sauvignon ou. Dificilmente este vinho é encontrado abaixo de R$ 60,00 no território nacional. Confira:http://lidador.com.br/loja/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=3586&nmProd=Vinho+De+Martino+Legado+Reserva+Cabernet+Sauvignon+750ml; http://www.bonnamania.com.br/conteudo/interna.asp?id=509; http://loja2.emporiumdinis.com.br/products/De-Martino-Legado-Reserva-Cabernet-Sauvignon.html

 

Vinhos Italianos (dois vinhos)

Barbera D’Alba Sovrano (Batasiolo). Este típico vinho do Piemonte é vendido por US$ 20,00 no Free Shop e dificilmente é encontado por menos de R$ 60,00 nas lojas especializadas.  Confira: http://www.viavini.com.br/produto/Barbera+D+Alba+DOC+Sovrana; http://vinhoparatodos.blogspot.com/2010/11/batasiolo-sovrana-barbera-dalba-doc.html; 

Valpolicella Classico Superiore (Zenato).  Este italianíssimo vinho do Veneto (muito bom com comida) é vendido por US$ 18,00, enquanto o preço praticado pela Word Wine (atual importadora) é R$ 85,00. Uma “bocada” imperdível  (entre as melhores do Free Shop)- http://www.worldwine.com.br/ch/prod/322/0/0/423/valpolicella-classico-superiore-doc-2008.aspx

 

Vinhos portugueses (dois vinhos)

Além do Valpolicella Classico Superiore (Zenato) e do Q da Familia Zuccardi (as melhores opções da nossa lista), há dois vinhos portugueses que são imperdíveis e, por isso, os deixei para registro final.

 Má Partilha – Um Merlot luso com boa potência (que aguenta boa guarda). Com o preço de US$ 29,50 no Free Shop dificilmente será comprado nas lojas especializadas por menos de R$ 120,00 (ou seja, uma “bocada” de verdade – sem dúvida, entre as melhores do Free Shop). Confira: http://www.wine.com.br/vinhos/ma-partilha-merlot-2007/prod3042.html; http://www.reidoswhiskys.com.br/shop/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=562&nome_produto=VINHO%20MA%20PARTILHA%20MERLOT%20750ML;http://www.varanda.com.br/vinho-portugues-tinto-ma-partilha-merlot-750ml.html

 Quinta da Bacalhoa – Este vinho português escoradoem Cabernet Sauvignon singular (com correções de Merlot, as vezes) bem conhecido (também agüenta boa guarda). No Free Shop US$ 29,00, nas lojas especializadas acima de R$ 100,00 (outra “bocada, que não deixamos passar em branco). Confira: http://www.wine.com.br/vinhos/quinta-da-bacalhoa-cabernet-sauvignon-2007/prod2899.html; http://www.emporiodasbebidas.com.br/produto-387-vinho_quinta_da_bacalhoa_750ml.;http://www.shopvinhos.com.br/quinta%20da%20bacalhoa/vinhos/between-brl-80-and-120/cVINHOS-b100500-prBRL_80_120-p1.html

Como disse antes, é uma lista limitada (US$ 30,00 por garrafa) e há, sem dúvida, outros bons vinhos que não estão no rol acima. Se quiser, deixe sua sugestão. Abraços, Mazzei

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Harmonização: Chardonnay e salmão (com receita do Chef Bilu).

A questão da harmonização dos peixes e frutos do mar com vinhos não tão simples, nem tão complicada, quanto pode parecer.  Qual o vinho que devo escolher???

Apesar das dúvidas, certo é que existem casamentos que são imbatíveis. Um deles para mim é um bom Chardonnay com salmão assado. Se o Chardonnay for um pouco mais encorpado ainda…., o gosto enfumaçado do salmão assado faz da combinação uma das mais simples harmonizações com o aclamado vinho branco.

Ah, uma dica: se o Chardonnay for mais leve, ele combinará como uma luva (especialmente se servido numa temperatura mais baixa) com tiras de salmão cru, ou seja, se adapta perfeitamente para o salmão no estilo japonês. 

O assunto está na pauta do blog em razão do sucesso do post sobre a Chardonnay (https://rodrigomazzei1.wordpress.com/2011/05/23/chardonnay-a-rainha-da-uvas-brancas/). Após tal matéria, alguns amigos solicitaram  uma receita simples e perfeita para se encaixar com o vinho da “rainha das uvas brancas”. E, mais uma vez, atendendo aos reclames, o Chef Bilu (colaborador do nosso blog) enviou a receita abaixo (fácil de fazer e eficiente na harmonização):

SALMÃO ASSADO

 Ingredientes:

  • 1 ½ kg de filé de salmão
  • Suco de 01 lima
  •  Suco de 01 limão (médio)
  •  250g manteiga sem sal
  •  Sal a gosto 200 g de alcaparras

 Modo de preparo:

  •  Tempere o filé com sal, o suco da lima e do limão.
  • Cubra o filé com a manteiga (untar).
  • Ponha para assar por 10 minutos em forno pré-aquecido a 160°.

 Molho de alcaparras:

  •  Levar na frigideira as alcaparras com a manteiga.
  • Retirar o salmão do forno, cobrir com o molho de alcaparras, e novamente levar o salmão para o forno por mais 10 minutos.

Servir com batatas cozidas (e não ter medo de usar um bom azeite).

Obs.: Se quiser um gosto mais exótico, substitua as alcaparras por um pouco alecrim fresco.

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VINHOS NORTE AMERICANOS (PARTE I – A HISTÓRIA)

 Nosso blog conta com a participação de alguns amigos (como é o caso do Chef Bilu, responsável pelas harmonizações, como ocorreu no texto sobre a Torrontés – https://rodrigomazzei1.wordpress.com/2011/05/20/torrontes-uma-resenha-com-harmonizacao/. Quem agora nos manda excelente contribuição é o amigo CONRADO VENTURA, paulista e hoje morador de Orlando, Florida (EUA). Conrado trabalhou no Marketing da Art des Caves, saindo para ajudar na criação e operação da Enoteca Saint VinSaint, em São Paulo, da sommeliere Lis Cereja. Mais tarde foi residir nos Estados Unidos, iniciando seus trabalhos lá na afamada loja Vines Wines and Spirits. Vale conferir o blog de Conrado sobre vinhos e fotografia, pois o material é de altíssimo bom gosto –www.uncorkedimage.blogspot.com

 Com sua experiência em vinhos norte-americanos, Conrado nos enviou precioso (e didático) material sobre os vinhos da terra do “Tio Sam”. Pela qualidade e extensão, o texto original será dividido em posts (tal qual fizemos na nossa abordagem sobre os vinhos do Uruguai). A temática de hoje é a história, ou seja, como tudo começou.

 Um pouco da história dos vinhos dos EUA  (por Conrado Ventura)

 Apesar de pouco difundidos no Brasil, os vinhos norte-americanos são de grande qualidade, e estando lá em cima com países produtores de vinho no mundo.  Só a Califórnia produz mais que o dobro de vinhos que a Austrália. Apesar de vinho ser feito em 50 estados do país, os principais, onde se produzem vinhos finos são: a famosa Califórnia, Washington State, Oregon e Nova York. Esse último sendo um pouco menos presente, mas crescendo no mercado americano.   O primeiro estado a fazer vinho que foi comercializado, foi Ohio, mas perdeu sua força com o tempo. Oregon e Washington já são considerados estados de produção de primeira linha, aproximando-se da Califórnia.

Agora, antes de chegar na parte interessante e agradável (ou seja, os vinhos) tenho que falar sobre a história da viticultura americana. Meio como quando você era pequeno, que seus pais te obrigavam comer todos os vegetais, pra depois poder comer a sobremesa.  Vou falar um pouco da história do vinho dos EUA, para entender o motivo e maneira que as coisas aconteceram. Vamos lá então:

 O começo e os marcos históricos da vinicultura nos EUA

Mesmo não sendo o primeiro estado a produzir vinhos, a Califórnia se tornou produtor, lá por 1800, onde a primeira vinícola foi estabelecida por um missionário Franciscano, chamado Junípero Serra, perto de San Diego, e logo em seguida, videiras foram plantadas em uma das principais regiões vinícolas dos EUA, em Sonoma, em 1805. Os EUA tinham duas uvas nativas, mas eram de qualidade muito ruim. Mais tarde, resolveu-se plantar a MISSION GRAPE, que na América do Sul é conhecida como CRIOLLA. Essa produziu vinhos de melhor qualidade, mas também não era grande coisa.

 Um ponto importante na história viticultural americana e mundial, foi a proliferação do fungo Filoxera (Phylloxera) no final do século 19. Essa praga devastou os vinhedos europeus, e deixou muitos produtores quebrados. Porém as raízes das videiras americanas eram imunes a essa praga. Isso fez com que fosse possível a plantação de centenas de espécies em vinhedos americanos, com a ajuda de enxertos nas videiras. Algumas pegaram bem, outras não.

 Outro marco, foi a famosa Proibição nos Estados Unidos (National Prohibition Act), onde proibia a venda, produção e transporte de qualquer bebida alcoólica com mais  de 2.75 graus alcoólicos no país. Maine foi o primeiro estado, estando totalmente sem bebida alcoólica (mais ou menos pelo ano 1846), mas a retificação da 18ª emenda foi aprovada valendo pro país inteiro, em 1920. Isso durou até 1933. Mas foi feita uma exceção para o Vinho Sacramental, usado na celebração da Eucaristia. Isso e sucos de uva fizeram algumas poucas vinícolas sobreviverem, mas a sua grande maioria quebrou! Bom, resumindo, pelo fato de tal lei ter sido muito infeliz, o presidente na época, F. Roosevelt, resolveu bani-la em 1933 Porém, nesse período de 11 anos, muitas vinícolas fecharam, viticultores morreram, o paladar dos americanos mudou, sendo a procura de vinhos doces muito maior do que a por vinhos secos.

Lá pelos anos 60, uma nova leva de novos viticultores e empresários, apareceram para investir e começar a produzir vinhos de melhor qualidade no estado da CA. Sendo um deles o mundialmente famoso Robert Mondavi.

O julgamento de Paris

O ano 1976 foi de grande importância na história do vinho americano. A famosa degustação chamada The Judgment of Paris (O julgamento de Paris), quando um mercador de vinhos Inglês chamado Steven Spurrier convidou algumas vinícolas americanas pra participar de uma degustação as cegas, contra vinhos renomados da França. Resultado, Estados Unidos ganharam a disputa, nas duas categorias, Vinhos Tintos e Brancos… Se os franceses já não gostavam dos americanos antes, imaginem depois dessa disputa?? Pois é, foi o maior rebu. Inclusive fizeram um livro e um filme sobre essa degustação. Nunca li o livro, mas o filme é MUITO legal, chamado Bottle Shock. Bom, os vinhos vencedores foram Chateau Montelena Chardonnay e Stag’s Leap Cabernet Sauvignon. O Mazzei já tratou do fato quando escreve sobre a Chardonnay, na parte final daquele post – https://rodrigomazzei1.wordpress.com/2011/05/23/chardonnay-a-rainha-da-uvas-brancas/

Informações básicas (e importantes) 

Para fechar a primeira parte do nosso material sobre vinhos norte-americanos, é importante notar que nos Estados Unidos, para um vinho ser safrado, ele precisa usar, no mínimo 95% das uvas da safra demarcada no rótulo. E para ser varietal, ele precisa de no mínimo 75% da cepa anunciada.

Por hoje é só, mas em breve volto a escrever sobre os vinhos americanos no blog Vinhos e Viagens do amigo Rodrigo Mazzei.

 Orlando-EUA (maio de 2011), Conrado Ventura

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DESCORCHADOS 2011 (CHILE): DOÑA DOMINGA “uma bocada” (best buy)

Caríssimos,

Acabei de ganhar de presente o livro DESCORCHADOS 2011 na versão chilena. Com olhos na obra, farei a inserção de novos posts, em especial dos vinhos de melhor relação custo benefício, semelhante que fizemos em relação aos vinhos argentinos. Confira, os textos anteriores. (vinhos brancos – https://rodrigomazzei1.wordpress.com/2011/05/17/descorchados-2011-parte-ii/; vinhos tintos https://rodrigomazzei1.wordpress.com/2011/05/11/descorchados-2011/).

 Vi muita coisa interessante que vale comentar. E, para embalar nosso blog, já segue a primeira anotação.

 LINHA DOÑA DOMINGA (novamente) uma “bocada” ao alcance de todos.

 Da leitura breve dos DESCORCHADOS 2011 versão chilena, notei de cara que os vinhos de nossa primeira dica no blog como “bocada da semana” (linha “Doña Dominga” de produção da Casa Silva – https://rodrigomazzei1.wordpress.com/2011/05/04/bocada-da-semana-vinhos-dona-dominga/) tiveram um resultado ótimo aos olhos da publicação (repetindo resultados de anos anteriores). Diante dos preços praticados em  tais vinhos  aqui no Brasil, vale comprar e experimentar como opção para  dia a dia (e até um pouco mais…).

 De forma bem sintético e rápida, vale registrar os vinhos degustados (isto é, descorchados) e pontuados na versão chilena dos DESCORCHADOS 2011:

  1.  DONA DOMINGA CUVEÉ COLCHAGUA – CARMENÈRE PETIT VERDOT/CABERNET SAUVIGNON/SYRAH/ MERLOT – 2008: 90 pontos
  2. DONA DOMINGA GRAN RESERVA (ANDES VINEYARD) CARMENÈRE – 2009: 90 pontos
  3. DONA DOMINGA RESERVA CARMENÈRE – 2009: 90 pontos
  4. DONA DOMINGA RESERVA SYRAH – 2009: 90 pontos
  5. DONA DOMINGA CARMENÈRE – 2010: 89 pontos
  6. DONA DOMINGA RESERVA MERLOT – 2009: 89 pontos
  7. DONA DOMINGA SYRAH – 2010: 88 pontos
  8. DONA DOMINGA GRAN RESERVA (ANDES VINEYARD) CABERNET SAUVIGNON – 2009: 88 pontos
  9. DONA DOMINGA GRAN RESERVA (PACIFIC VINEYARD) SYRAH – 2009: 88 pontos
  10. DONA DOMINGA CABERNET SAUVIGNON/CARMENÈRE – 2010: 87 pontos

Dica pessoal: como já anotei antes, admiro bastante a linha RESERVA (acho melhor até que a GRAN RESERVA) e creio que vale, no mínimo, uma experiência com algum exemplar de tal linha, que reputo ser digno de receber o rótulo de “best buy” (ou, como em nosso blog, uma “bocada”).

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Chardonnay: a rainha da uvas brancas

Quando escrevi sobre a Torrontés em post recente (https://rodrigomazzei1.wordpress.com/2011/05/20/torrontes-uma-resenha-com-harmonizacao/), alguns amigos me perguntaram se seria possível escrever um pouco sobre outras uvas brancas, já que, de um modo geral, as pessoas têm contato maior com os vinhos tintos. Sem muita rigidez de periodicidade, vou tentar trazer pequenas resenhas sobre as cepas brancas, mais ou menos no estilo que fiz com a Torrontés. Para começar, escolhi aquela que é a mais conhecida e internacional das uvas brancas: a Chardonnay (a “rainha das uvas brancas”).

Chardonnay a “Cabernet Sauvignon das uvas brancas”

A comparação da Chardonnay com a Cabernet Sauvignon é bem interessante e acaba sendo, de certo modo, didática. A Cabernet Sauvignon é tratada como “rainha das uvas tintas”, com resultados muito bons em praticamente todos os locais em que cultivada e não apenas na França. Estas situações se identificam – em certa medida – com a Chardonnay, pois esta é tratada como a “rainha das uvas brancas” e, de forma próxima à Cabernet Sauvignon, há ótimos resultados em grande parte dos países produtores de vinho, seja do velho mundo, seja do novo mundo (resultado direto de sua capacidade de adaptação a diversos tipos de clima). Outro ponto comum que pode ser realçado está no fato de que com as duas uvas em destaque é possível se produzir vinhos complexos e estruturados. Contudo, apesar dos pontos de contato, existem diferenças marcantes entre as uvas (além da cor, obviamente):

 (a)   A Cabernet Sauvignon está umbilicalmente ligada aos vinhos de Bordeaux, enquanto á Chardonnay se vincula aos brancos da Borgonha, ou seja, as posições geográficas na França (e mais conhecidas no mundo para a fama de ambas) não são as mesmas.

(b)    Há variada participação Cabernet Sauvignon nos vinhos de corte de alto nível (ainda que com grande percentual da cepa), destacando-se, desse modo, não apenas como uva vetor de vinho varietal, mas como consorte de algumas combinações (mesmo que com forte participação). A Chardonnay, por sua vez, tem seu destaque em vinhos em que brilha de forma singular (ou seja, “vinho varietal Chardonnay”), havendo exceções, é claro (como é o caso de Champanhes, em que faz combinação com a Pinot Noir), mas em número menos representativo do que a Cabernet Sauvignon nos cortes. Em algumas regiões, Chardonnay é quase um sinônimo de vinho branco.

Algumas características e variações da Chardonnay

A origem da Chardonnay não é pacífica, havendo quem defenda que é oriunda do Oriente Médio ou ainda que seja uma mutação da Pinot Noir. No entanto, a corrente que parece prevalecer é a de que é uma uva nativa da Borgonha.

Uma característica interessante da Chardonnay é a sua relação com o carvalho novo, pois é uma uva branca que propicia resultados especiais com o contato com a madeira (seja durante ou após a fermentação). Esta peculiaridade, contudo, acaba sendo um revés quando há abuso excessivo da madeira (ou seu uso incorreto), pois alguns vinhos ficam carregados e exagerados em pontos típicos da combinação (Chardonnay X carvalho). O vinho se torna muito pesado, em que a baunilha chega ficar enjoativa e, não raro, amanteigada demais.

 Degustação atenta demonstrará que, apesar da boa adaptação aos climas de várias regiões de países produtores de vinhos pelo mundo, há grande variação nos “Chardonnays”, resultante não só da diversidade do clima, mas também da forma com que a uva foi trabalhada na vinificação (até mesmo diante da sua relação com a madeira já enaltecida).  De modo geral, os “Chardonnays” produzidos na Borgonha são vinhos  elegantes (alguns sutis), em que despontam sabores como maçã e frutas cítricas, não sendo invulgar a presença do mel, da baunilha bem balanceada e de alguma especiaria ao fundo. Tentando fazer comparativo (através de experiência pessoal e não de dados absolutamente técnicos), os vinhos de regiões mais frias parecem ser mais discretos, com maior remessa à maçã, ao passo que, nas regiões mais acaloradas, o Chardonnay estampa na boca sabor mais flagrante e, invariavelmente, estão presentes notas de abacaxi.

 O mercado norte americano (grande consumidor e importador mundial dos vinhos da uva) parece exigir um Chardonnay mais encorpado, tostado e amanteigado, em que o peso fica mais pronunciado, situação que vem norteando a produção de boa parte dos vinhos atualmente, notadamente no novo mundo. Assim, é muito provável que numa degustação se notará a diferença de vinhos com a Chardonnay de Borgonha em relação aos vinhos com a mesma uva no novo mundo, em especial os moldados para o mercado norte americano. Aliás, até mesmo nos exemplares franceses há diferenças marcantes, pois o Chablis (que não passa por madeira) é bem seco, ao passo que há vinhos também amanteigados por lá (Meursault é um bom exemplo).

 Aqui não se pretende defender qual é o melhor estilo de Chardonnay, mas apenas registrar que diferenças existem e que podem ser observadas sem grandes dificuldades. Por isso, creio que vale juntar os amigos e combinar  degustação em que cada um levará uma garrafa de Chardonnay distinto para se ver (em campo) as diferenças e os pontos de contato dos vinhos com esta uva fantástica e internacional.

O julgamento de Paris e a Chardonnay

Fato interessante e bem conhecido no mundo do vinho envolve a uva Chardonnay, ainda que como atriz coadjuvante. Até o início dos anos 70 não se cogitava que era possível se produzir um vinho de excelência (leia-se: nos padrões franceses) com a Chardonnay que não fosse dentro do próprio território francês. Em 1976 ocorreu uma competição internacional que confrontou, através de degustação às cegas, os vinhos franceses com os californianos de Napa Valley. Para surpresa geral, os vinhos californianos foram os vencedores do encontro, inclusive com o melhor Chardonnay (produzido pela vinícola americana Chateau Montelena- http://www.montelena.com/).

George M. Taber ( único jornalista a presenciar o evento) escreveu  livro que relata os detalhes que envolveram o fato (o livro é encontrado no Brasil com o Título “O julgamento de Paris).  Mais tarde, a partir do texto de Taber, a estória foi retratada (com “retoques de Hollywood”) no filme Bottle Shock (título original), dirigido por Randall Miller, que foi recentemente lançado no Brasil em DVD ( também com o título “O julgamento de Paris”). Bom programa (seja o livro, seja o DVD), especialmente se acompanhado de um (ou mais) bom(ns) vinho(s) e que ajudará a conhecer e admirar mais ainda a Chardonnay.

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Promoção Pascual Toso

Acabei de receber um e-mail da amiga Roberta, que trabalha na Interfood, noticiando uma promoção com os vinhos da PASCUAL TOSO (Mendoza – Argentina) –http://www.bodegastoso.com.ar/welcome . Os exemplares em promoção são os seguintes:

  • Espumante Toso Brut de R$31,90 por R$23,00.
  • Pascual Toso Reserva Malbec ou cabernet sauvignon 2008 de R$55,00 por 30,50.
  • Pascual Toso Alta Reserva Syrah 2007 de R$133,90 por R$ 105,00.
  • Pascual Toso Alta Reserva Malbec 2007  de R$133,90 por R$ 105,00.
  • Pascual Toso Pedregal 2005 de R$217,90 por R$170,00.
  • Pascual Toso Magdalena Toso 2005 de R$313,90 por R$ 290,00.

Conheço praticamente todos os vinhos acima. São vinhos bem trabalhados e, em geral, os  tintos são bem balanceados, com peso, muita fruta e uma coloração fantástica.  

Dentro da relação custo benefício, os vinhos da linha reserva (tanto o MALBEC quanto o CABERNET SAUVIGNON) são muitos bons (podendo ostentar o título de best buy – ou, no nosso blog,  “uma bocada”), até porque, além do preço, possuem ótima apresentação (rolha, capsula de metal). A linha reserva, com algumas variações nas safras, possui graduação alcoolica na faixa de 14º, passa 12 (doze) meses em barricas de carvalho (francesas e americanas), descansando por mais 06 (seis) meses em garrafa. A safra 2008 arrancou boa pontuação de Robert Parker (89 pontos o Malbec e 90 pontos o Cabernet Sauvignon). Abaixo uma imagem do rótulo:

  

 Quem tiver interesse, os contatos da Roberta são os seguintes: roberta@interfood.com.br;  telefones (11) 2602 7266 e (011) 9447 9708.

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Torrontés: breve resenha (mas com harmonização)

Caríssimos, no rol dos vinhos brancos com boa relação custo beneficio da obra DESCORCHADOS 2011 (versão argentina), a uva Torrontés obteve grande destaque e está presente entre as tradicionais e internacionais cepas (como é o caso da Chardonnay e da Sauvignon Blanc). Vale lembrar que o vinho considerado campeão no quesito trabalha com a uva Torrontés (Colome Torrontés, Salta) – vide post anterior https://rodrigomazzei1.wordpress.com/2011/05/17/descorchados-2011-parte-ii/

 A situação fez com que alguns amigos pedissem informações sobre a uva Torrontés. Achei a idéia boa, pois os vinhos com a Torrontés costumam ter preços acessíveis, são facilmente encontrados no mercado nacional e admitem ótima harmonização. Vamos lá então:

Foto extraída do site http://www.torrontes.com/

 Se a Malbec é considerada a uva tinta emblemática da vinicultura moderna da Argentina, é possível se dizer o mesmo da Torrontés como uva branca de tal país (ainda que não tão afamada). Contudo, a identidade da Torrontés é maior com a Argentina, na medida em que a Malbec possui raízes francesas (e lá continua ser cultivada), enquanto a uva branca em questão é tratada por especialistas como autóctone, ou seja, oriunda do local (não sendo, portanto, resultante de importação), embora não se negue que há vinculos com cepas espanholas e alguma identidade com a Malvasia (de origem grega, mas muito comum na Espanha, Portugal e Itália). Há quem diga que a Torrontés surgiu em solo argentino a partir do cruzamento natural entre a Moscatel e a Criolla. Assim, em regra, ao se falar da Torrontés estará se pensando em algum vinho argentino branco.

 A maioria dos vinhos com Torrontés não passa por madeira, o que propicia grande frescor (especialmente se bebidos em temperatura ideal, admitindo-se até temperatura mais baixa em exemplares especiais com graduação alcoolica mais elevada). Esta peculiaridade (não uso de madeira), é percebida também na coloração mais clara e no nariz (sem excessos enjoativos, é perfeitamente possível perceber notas florais). Na minha opinião, na boca a Torrontés difere das cepas tradicionais, pois ao mesmo tempo em que há fechamento doce (que lembra mel em certa medida), percebe-se também nuances florais na entrada [que embala, mais tarde (e algumas vezes) para um curto amargo – notadamente nos vinhos mais fortes)].

 É possível adquirir um ótimo (digo, ótimo mesmo) Torrontés aqui no Brasil por volta de R$ 35,00 (trinta e cinco reais). Há rótulos mais baratos e mais caros, mas dificilmente será encontrado algum Torrontés acima de três digitos (eu nunca vi, com toda sinceridade). Não conheço todos os vinhos da uva anotados no DESCORCHADOS 2011, mas de um modo geral não há erro num Torrontés de um bom produtor argentino. Alguns exemplares de Torrontés que não estão na lista dos DESCORCHADOS 2011 eu faço questão de registrar:

 Não tive muitas oportunidades de fazer grandes harmonizações com a Torrontés, mas uma em especial foi fantástica: PEIXE ASSADO. Atendendendo ao meu pedido, o Chef Bilu (responsável pela coluna ‘Harmonização do Chef Bilu – https://rodrigomazzei1.wordpress.com/2011/05/04/harmonizacao-do-chef-bilu/) nos brindou com uma receita simples e muito fácil de fazer. E o melhor: perfeita para combinar com um Torrontés. Vamos lá:

 RECEITA DE DENTÃO ASSADO 

 

Ingredientes:

  • 02kg de Dentão limpo.
  • 02 tomates cortados em rodelas.
  • 02 cebolas cortadas em rodelas.
  • 200g de polpa de alho
  • ½ kg de batata cortadas em rodelas.
  • 01 xícara de azeite
  • ½ xícara de sal
  • 01 maço de coentro picado.

Modo de preparo:

  • Cortar as batatas em fatias, forre todo refratário com as batatas, fazendo uma cama.
  • Faça cortes nas laterais no Dentão.
  • Misture a pasta de alho com o sal e passe (untar) em todo peixe.
  • Deite o peixe sobre as batatas.
  • Sobre o peixe, coloque toda cebola, tomate e coentro.
  • Regue o peixe com azeite.
  • Levar ao forno pré-aquecido (180º) por 30 minutos.
  • Sirva com arroz branco e brinde com um bom Torrontés!!!!.

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