Arquivo do mês: junho 2011

Dói, mas a afirmação é verdadeira: “Mais vale um bom Rosso di Montalcino do que um Brunello ruim….” (MONDOVINO – parte III)

Um dia destes li um post muito engraçado do blog Mondovino, que fez considerações acerca de estratégias para que o Rosso di Montalcino se colocasse melhor no mercado, pois o Brunello di Montalcino acaba por sufocar o “primo pobre”. Sem dúvida este fato se dá, entre outros motivos, pelo glamour que envolve o Brunello (afora seus predicados especiais).

No entanto, o ótimo post me fez lembrar uma afirmação que ouvi na Toscana (Montalcino): “Mais vale um bom Rosso di Montalcino do que um Brunello ruim.…”. Na ocasião, chovia muito é “esbarramos” com a propriedade residencial dos donos da vinícola CASA NOVA DI NERI (http://www.casanovadineri.it), que fica metros (não mais que um ou dois quilômetros) da também ótima LA RASINA (http://www.larasina.it/). Ao sermos acolhidos na primeira casa da residência (um pequeno escritório), esta frase foi dita por um dos gerentes da vinícola, que narrava os fatos que envolveram a (péssima) safra 2002. Poucos foram os Brunellos que se salvaram, mas alguns Rossos, feitos com as melhores uvas (nas vinícolas que optaram vetar ou reduzir a produção de Brunellos naquele ano), obtiveram resultados muito bons. Dentre os produtores que tiverem tal zelo, além da CASA NOVA DI NERI, BIONDI SANTI – até mesmo pela sua importância – acabou sendo a referência da opção pelo bom Rosso ao revés do Brunello (provavelmente) ruim que a safra edificaria.

Na boa conversa, regada a várias taças de (excelentes) Brunellos e Rossos, o (já) amigo italiano me disse que o mais importante ao se escolher entre um Rosso e um Brunello (além do bolso, é claro) está na observação da “origem do vinho”, referindo-se ele – obviamente – ao produtor. O conselho – com todas as reservas comerciais que se pode fazer (já que estávamos dentro da casa de produtor de altíssimo gabarito) – vem demonstrando ser um dos melhores que já tive.

Não resta dúvida que para abrir um Brunello di Montalcino (qualquer que seja o produtor) se instala uma pequena cerimônia (um ritual talvez), ao passo que muitas vezes o mesmo procedimento com um Rosso di Montalcino é feito sem o “mesmo respeito” ou sem maiores formalidades. No entanto, não se pode negar que existem excelentes Rosso di Montalcino, invariavelmente resultantes da melhor seleção de uvas (já advinda de terroir diferenciado) e do bom cuidado do produtor na feitura do vinho, ao passo que, em paralelo, há produtores (ou “fabricantes”) que fazem Brunellos di Montalcino, ano a ano (ou melhor, safra a safra), medíocres, com a preocupação única de preencher os requisitos legais da DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) que envolve o vinho maior da Toscana. No segundo caso, a ordem é faturar ($$$$) e o produto fica em plano secundário.

Assim, me parece verdadeira a afirmação de que “Mais vale um bom Rosso di Montalcino do que um Brunello ruim….”, sendo os produtores e as safras os principais norteadores da eventual escolha e, não propriamente, o glamour da rotulagem do vinho. Desse modo, em alguns momentos, tenho optado por Rossos aos invés e Brunellos, uma escolha aparentemente não lógica….

A recordação da ótima conversa ocorrida no quintal do Brunello (repito, regada a vinhos em fartura) não ocorreu apenas em razão do post acima descrito (de humor refinado), mas também por força do ótimo ROSSO DI MONTALCINO (CASTELNOVO), safra 2003, produzido pela TENUTA OLIVETO (http://www.tenutaoliveto.it/).

O vinho (cujo rótulo segue abaixo) foi um presente recebido no ano passado da amiga capixaba Denya Pandolfi (residente na Itália) e que recentemente abri em casa para beber com amigos (afinal, vinho – em especial o bom – é para ser compartilhado).

O vinho, após um pouco mais de hora de decanter, simplesmente estava maravilhoso em todos (absolutamente todos) os quesitos. Senti os pés pisando na Toscana no dia em que bebi o vinho. A cor da rolha abaixo sintetiza tudo que disse, pois vinícola conseguiu fazer um vinho de destaque numa safra que, apesar de melhor do que a de 2002, foi bem irregular (há bons, mas também sofríveis, vinhos da safra 2003 em Montalcino).Vale dizer que o produtor não é um dos mais afamados, mas foi possível se notar (tanto nos olhos, como na boca e no nariz) o cuidado com que o vinho foi construído.

Pena que nem todo Rosso di Montalcino é assim…., até porque, para finalizar deixo outra frase (quem sabe para próximo post) “Mais vale um bom Rosso Toscano do que um Rosso di Montalcino ruim…..”

Leia os textos iniciais de nossa série MONDOVINO (vamos refletir um pouco sobre o mundo do vinho?):

PARTE I- Novo e velho mundo na mesa.
PARTE II – O que é um vinho do velho mundo?

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“Descorchando” o Primus 2007 (vinho ícone da Veramonte) [em promoção imperdível (“bocada”): preço dos EUA praticado no Brasil]

Em post anterior tratamos dos vinhos da VERAMONTE, linha reserva, que estão com ótimos preços no Rio de Janeiro (Supermercados Zona Sul), em Brasília (Supermaia) e no Espírito Santo (Extraplus). De fato, ratifico mais uma vez a boa relação custo benefício de tais vinhos (quem não leu ainda, vale conferir a matéria).Naquele texto, além de abordar os vinhos da linha reserva, falei um pouco sobre o top da vinícola VERAMONTE, qual seja: PRIMUS. No entanto, não coloquei naquele post minhas impressões, pois, até então não tinha experimentado o vinho. Agora, depois de ter degustado com atenção duas garrafas do PRIMUS 2007, em ocasiões distintas, deixo o meu relato sobre o vinho (que está numa grande promoção, conforme indicação na parte final do post).

 

PRIMUS 2007: alguns dados técnicos

PRIMUS é o ícone (top) da VERAMONTE, sendo um vinho de corte (Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot e Carmenére) com raízes no Valle de Colchagua (Chile). Assim, não confunda o vinho examinado com o seu “primo” (desculpe o trocadilho) da Argentina, pois a Bodega Salentein (Mendonza) também produz um vinho chamado “PRIMUS” (www.bodegassalentein.com).

 Merece registro que as garrafas que tive em prova eram da safra  2007.  A questão das safras é de suma importância, pois pude notar que os cortes do PRIMUS 2006 e 2007, embora compostos pelas mesmas uvas (Cabernet Sauvignon, Syrah,  Merlot e Carmenére), têm percentuais diferentes de participação das cepas. Confira-se: 

PRIMUS 2006: Cabernet Sauvignon 36%, Syrah 31%, Merlot 17% e Carmenére 16%. Fonte: http://www.vinhosdecorte.com.br/primus-2006/

PRIMUS 2007: Cabernet Sauvignon 65%, Syrah 20%, Merlot, 8% Carmenére 7%. Fonte: http://www.veramonte.cl/vinos/primus_especificacionestecnicas.html

 Com balanço diferente no corte nas duas safras, creio que o PRIMUS 2007 parece estar mais potente que o anterior, dada a grande percentagem do Cabernet Sauvignon no corte. O amigo DANIEL PERCHES (www.vinhosdecorte.com.br) experimentou primeiramente o PRIMUS 2006 (publicando post respectivo) e depois apresentou degustação do PRIMUS 2007 (com vídeo). Aparentemente, pelo que pude extrair das experiências Daniel, a alteração de percentuais das cepas gerou mudança significativa (aparentemente até no peso do vinho).  

 Na página oficial do produtor, constam os seguintes dados técnicos referentes à safra 2007:

Enólogo: Cristian Aliaga
Tempo de Barricas 14 meses, sendo 90% barricas francesas e 10% em americanas (25% novas)
Acidez: 4.19 g/l
OH: 3.56
Graduação alcoólica; 14.5%

Ainda consta na página da vinícola que Álvaro Espinoza (autoridade mundial indiscutível nos vinhos biodinâmicos) presta assessoria junto à VERAMONTE.

A safra 2007 (ou seja, a que experimentamos) vem recebendo algumas recomendações de críticos, como é o caso da Wine Advocate (90 pontos) e nos Descorchados 2011 – versão chilena (89 pontos). Por fim, tem se dito que a safra 2007, de um modo geral, foi melhor do que a safra 2006 no Chile, sendo considerada colheita que propiciará vinhos com boa longevidade

No “campo de prova” com o PRIMUS 2007

(a)   Apresentação. O vinho possui apresentação excelente. Ótima garrafa (vidro bem escuro e espesso), rolha de cortiça com o emblema do vinho (PRIMUS), cápsula de metal muito boa e rotulagem discreta (mas agradável). Nas mãos aparenta ser vinho que no mercado nacional custaria acima de R$ 100,00, dada a qualidade do material que acolhe o conteúdo do vinho.

(b)   Coloração da taça: O vinho é bem escuro e profundo. A cor que indica ser um vinho de guarda e se difere daquela cor de vinho jambo de muitos exemplares chilenos. Aos olhos, sem “forçar a barra”, lembrou um corte de Bordeaux.

(c)   Nariz. Nas duas oportunidades achei o vinho um pouco fechado no nariz. Mesmo após repousar mais de uma hora no decanter, o seu aroma ficou preso. Somente depois, já na taça, que senti notas mais fortes (tostado e uma discreta fruta escura).

(d)   Boca. O vinho não está no seu auge e tal constatação fica clara na boca, ou seja, o PRIMUS 2007 parece estar sem seu resultado final completo. Não se percebe madeira agressiva [apesar de presente sem exageros – talvez pelo pouco uso de carvalho americano (só 10% do total das barricas)]. A Cabernet Sauvignon – no momento – predomina e deixa o vinho duro. No fundo há especiarias e o álcool ainda está um pouco forte. Quem espera uma explosão de frutas, este vinho definitivamente irá decepcionar, pois estas estão presentes de forma bem sutil, parecendo estar reprimidas.

A leitura das observações acima pode levar a conclusão de que não gostei do vinho. Contudo, não foi isso que ocorreu. Posso dizer em linhas muito curtas que o vinho não esconde sua descendência chilena, no entanto não parece ser um típico vinho do Chile atual. Posso estar enganado, mas a impressão que ficou foi a de construção de vinho que ainda está em plena evolução, ainda não tendo chegado ao seu “ponto”. Ao mesmo tempo em o vinho é de uma potência flagrante (até mesmo em razão dos seus 14,5º de álcool), prestando atenção você encontrará especiarias finas. O paladar que se pretendeu com este vinho não se resume em fruta madura, mas em conjunto mais complexo e delicado (que para se firmar precisará de mais tempo de garrafa).

Sem dúvida, é o vinho mais elegante dos que provei da VERAMONTE e se distância dos vinhos da linha reserva da vinícola, pois a sua proposta não parece ser de vinho de “dia a dia” para o mercado americano. O detalhe de pouco uso de carvalho americano, na minha visão, é revelador do objetivo que se pretende com o PRIMUS 2007. Chego arriscar que este vinho é capaz de agradar aos admiradores de vinhos do velho mundo com muita potência.

O vinho comentado, acredito, tem ótimo potencial de guarda (acima da media dos tintos chilenos). Assim, diante do preço que está sendo praticado aqui no Brasil, não tenho dúvida que vale a pena comprar mais de uma garrafa e ir testando a evolução do vinho.

Do excelente preço praticado no Brasil

Segundo o amigo Conrado Ventura (residente nos EUA e autoridade em vinhos daquele país), o PRIMUS tem preço médio de US$ 18,00 nos Estados Unidos. A informação é corroborada por rápida pesquisa na internet:

http://www.winehoarder.com/discussion/1374/veramonte-primus-2007-for-17.10-wine-legend

http://www.snooth.com/wine/veramonte-primus-2007-1/

No Chile este vinho sai por volta de R$ 35,00-40,00, situação que implicaria num preço mínimo de R$ 90,00-100,00 aqui no Brasil. Contudo não é o que ocorreu, para nossa sorte.  O vinho está sendo importado por consórcio de supermercadistas, que acabam sendo ao mesmo tempo distribuidores e varejistas. A situação permitiu a venda do PRIMUS 2007 no Brasil com preço próximo ao praticado nos EUA (o que é uma façanha). Pelo que pude aferir, o PRIMUS 2007 vem sendo vendido em Brasília pelo SUPERMAIA, no Rio de Janeiro pelo ZONA SUL e no Espírito Santo pelo EXTRAPLUS, com preço na faixa de R$ 40,00-R$ 50,00. Confira:

http://www.zonasulatende.com.br/Produto/Vinho_Tinto_Chileno_Veramonte_Primus_Garrafa__750_mL_2007_–61342

http://www.extraplus.com.br/loja/produtos.asp

No entanto, os capixabas tiveram um pouco de sorte a mais, pois o EXTRAPLUS colocou as últimas garrafas a venda numa super promoção: ‘Pack – compre 06 garrafas, que cada uma sai por R$ 30,00’. Logo, com R$ 180,00, você pode comprar seis garrafas e ir vendo o desenvolvimento do PRIMUS 2007.  Eu já comprei meu “pack” e aconselho que façam o mesmo, pois a promoção é por tempo limitado e o estoque parece não ser grande.

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Bom momento para apreciar e falar um pouco sobre o TREBBIANO D’ABRUZZO. Vinho italiano branco em promoção: R$ 46,20 a garrafa magnum!!

Estive ontem na Ville Du Vin de Vitória-ES e vi que um vinho que comentamos no post sobre as garrafas magnum está numa ótima promoção, a saber: TREBBIANO D´ABRUZZO (FARNESE, safra 2007) por R$46,20 agarrafa magnum – 1.500 ml.

Como se trata de garrafa magnum (que própicia uma melhor conservação do conteúdo), apesar da safra ser 2007 creio que o vinho ainda deve estar muito bom, não tendo perdido seu frescor. Como não vi muitas garrafas, deve ser o restolho da safra 2007 e a promoção deve cessar tão logo acabe o estoque da dita safra (o preço normal, que já é bom, é de R$ 66,00).

 Enquanto almoçava no restaurante anexo ao Ville Du Vin, comentei da promoção com um amigo que, naquele momento, me confessou não conhecer nada sobre o vinho branco em questão. Diante do quadro, me animei a escrever um pequeno post com  informações sobre o vinho TREBBIANO D´ABRUZZO. Vamos lá:

 TREBBIANO D´ABRUZZO: numa resenha muito apertada

 O TREBBIANO D´ABRUZZO é um vinho italiano, na região de  ABRUZZO, feito com a uva TREBBIANO, daí o nome sugestivo: Trebbiano (a uva) + Abruzzo (o local).

Para quem não sabe, geograficamente ABRUZZO fica a direita de LAZIO, com fronteiras ao norte com a UMBRIA e MARCHE e linhas ao sul divididas com MOLISE. A direita da REGIÃO DE ABRUZZO está o MAR ADRIÁTICO, personagem de papel importante nos vinhos da região aqui em análise.

O TREBBIANO D’ABRUZZO é o vinho branco mais importante da região, ao passo que o MONTEPULCIANO D’ABRUZZO é o principal vinho tinto do local. Importante: o vinho Montepulciano D’Abruzzo não tem qualquer ligação com a cidade de Montepulciano, postada na TOSCANA (famosa pelo seu Vino Nobile). No MONTEPULCIANO D’ABRUZZO, tal qual no TREBBIANO D’ ABRUZZO, a primeira palavra representa a uva, ou seja, trata-se de vinho da uva tinta MONTEPULCIANO produzido na região de ABRUZZO [Montepulciano (a uva) + Abruzzo (o local)].

Retornando ao TREBBIANO D’ABRUZZO, trata-se de vinho branco pertencente a uma DOC (Denominação de Origem Controlada), de modo que somente poderá estampar no rótulo tal expressão se o vinho estiver dentro dos padrões legais exigidos para a elaboração do vinho em voga.  Dentre as exigências mais importantes, o vinho somente pode ser produzido com cepa Trebbiano plantada em área demarcada da região de ABRUZZO e não pode ter graduação alcoólica inferior a 11,5%.

A uva Trebbiano plantada na Região de Abruzzo não é exatamente igual a Trebbiano Toscana, cultivada na região central da Itália. Por isso, alguns produtores preferem chamá-la de BOMBINO BIANCO (este nome poderá ser achado isoladamente ou conjuntamente em alguns rótulos, mas estará representando a mesma cepa, logo TREBBIANO da região de Abruzzo = BOMBINO BIANCO).

A uva Trebbiano (Abruzzo) ou Bombino Bianco produz vinhos secos, com cor amarelada e aroma floral, características que são percebidas tranquilamente – sem esforço – no vinho TREBBIANO D’ABRUZZO. Há um fundo herbáceo no vinho que é bem agradável, notadamente quando servido na temperatura ideal, que é de 8º-10º (o vinho pode ser apresentado até em temperatura mais baixa em situações especiais, como é o caso de dias mais calorentos ou de harmonização com comidas servidas bem quentes, por exemplo a moqueca capixaba – boa parceira de mesa já testada por mim).

A maioria dos vinhos TREBBIANO D’ABRUZZO disponíveis no Brasil são de classe mais simples, sem grande complexidade. Contudo, na Itália com alguma procura é possível se encontrar vinhos mais elaborados, com passagem em carvalho e feitos para uma razoável guarda. Um dos produtores tradicionais que faz vinhos mais complexos com a destacada uva branca de Abruzzo é VALENTINI (Azienda Agricola Valentini). Confira abaixo o rótulo:

O vinho em promoção na Ville Du Vin se encarta no modelo mais simples. Advém da produção de uma grande empresa local (FARNESE). É um exemplar muito conhecido e bebido pelos italianos no seu dia a dia, pois o frescor natural da uva Trebbiano combina bem com os antipastos de frutos do mar, peixes e carnes brancas mais leves.

Sinceramente, acho que é uma boa oportunidade para experimentar algo novo para quem ainda não teve a oportunidade de beber este tradicional vinho branco italiano, pois nesta faixa de preço estamos limitados a rol muito pequeno de vinhos brancos, quase sempre do novo mundo.

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Vinhos do velho mundo e do novo mundo: distinção apenas geográfica? (MONDOVINO – parte II)

Ontem um amigo me indagou quando vou falar sobre vinhos do velho mundo no blog, pois, na visão dele, tenho escrito muito sobre o novo mundo e, pouco (ou quase nada) sobre o velho mundo. A situação, ainda no relato dele, fica ainda mais curiosa (senão contraditória), pois não escondo dos meus amigos pessoais minha predileção pelos vinhos italianos…. (e no blog, nada de vinhos italianos…). Acho que meu amigo tem razão, motivo pelo qual “deferi seu pedido”!

 Ocorre que, logo após aceitar o desafio (escrever sobre os vinhos do velho mundo) me vi numa situação curiosa: fixar o traço de distinção (real) entre os vinhos do velho mundo e os do novo mundo.

 

 Confesso que, retornando meus pensamentos ao filme MONDOVINO (objeto de post anterior no blog) tenho dificuldades de afirmar – imune de erros – que os vinhos do velho mundo são aqueles produzidos na EUROPA, com coração na França e Itália, espalhando-se por outros membros e artérias do dito continente. Com esta idéia ortodoxa, mas que é a divulgada em escala, a produção de vinhos que estiver fora da EUROPA será representação do novo mundo, com locais que por serem tão inusitados ao mundo do vinho (ao menos de um passado próximo), poderiam até ser chamados de “vinhos no novíssimo mundo” (já pensou um vinho produzido na Índia? seria este do novo mundo ou entraríamos na etapa do “novíssimo mundo”?).

 Meio confuso (pela inevitável recordação do documentário MONDOVINO e pela possibilidade de existir um “novíssimo mundo”), comecei a pensar que em alguns países há regiões em que, embora a posição geográfica seja de velho mundo, estão se fazendo vinhos “com estilo de novo mundo”, como acontece em algumas vinícolas do Alentejo (Portugal) ou da Sicília (Itália). No primeiro exemplo, um dia destes, bebi um vinho branco – Chardonnay – do Alentejo que foi “construído” com toda a técnica dos vinhos californianos do Napa Valley (seria este vinho do velho ou do novo mundo?). Na segunda situação, os vinhos “modernos” da Sicília (Itália) vêm se caracterizando por se aproximarem ao sabor do novo mundo, notadamente em relação à produção de vinhos com fruta maduríssima (com as devidas diferenças, há vinhos varietais da Nero d’Avola que se  identificam com a mesma idéia dos argentinos estruturados na Malbec). Tanto assim que não é invulgar a fala de que a Sicília aproxima a Itália do novo mundo.

 Já que comecei a falar, seguindo o embalo do segundo exemplo acima, no ano passado na Itália, ouvi – na presença de testemunhas – de um produtor que a Sicília busca um novo estilo de vinhos, modernos e com paladar internacional e que serão chamados dos “super sicilianos”, a versão sulista dos “super toscanos”. E, como toquei no assunto, não posso deixar de registrar que há alguns rótulos (mais ou menos recentes) que se intitulam como “super toscanos”. Contudo, além da falta de tradição (que remonta aos primeiros “rebeldes da toscana”), a concepção de tais vinhos está mais para exemplares produzidos no novo mundo……, pouco lembrando – com todo respeito – as raízes que deram origem aos “super toscanos”.

Vinhos do Alentejo e da Sicília: aproximação evidente ao novo mundo

 Os exemplos do Alentejo e Sicilia que destaquei com mais realce não são únicos, já que o fato se repete em outras regiões (de nações do velho mundo) que não eram, até pouco tempo, inclusas como importantes na produção de vinhos.

 Ops… encontramos um problema: a conceituação rígida de velho e novo mundo não pode mais ser dirimida apenas pela localização geográfica. Há necessidade de observar outros fatores além da raiz geográfica do vinho (como é o caso das técnicas empregadas de produção), pois o comércio e globalização parecem afetar as fronteiras e as conceituações de velho e novo mundo, até bem pouco tempo dogmáticas. Basta observar, como acima exemplificamos, que algumas regiões de países que pertencem ao velho mundo adotam técnicas e estilos que são afetos ao novo mundo.

 Enfim, para identificarmos se vinho pertence ao novo ou ao velho mundo, a geografia do local da produção é fundamental (vale ler o ótimo livro GEOGRAFIA DO VINHO, de Brian J. Sommers  – lançado não faz muito tempo no Brasil pela Novo Século Editora), mas acho que visão mais ampla, menos caolha, vai exigir mais cuidado, já que cada vez mais teremos ‘vinhos do velho mundo, feitos ao estilo do novo mundo’.

 

Vamos refletir e discutir sobre o assunto, pois não estou seguro para conceituar – nos dias de hoje – o que é (realmente) um vinho do velho mundo.

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Dica do leitor: VERAMONTE (linha Reserva) – A “bocada da semana” [vinhos “best buy chileno” (na faixa de US$ 12,00 no EUA) no Brasil por R$ 19,00-26,00]

A melhor opção da relação custo benefício da semana foi indicada pelo leitor (e já amigo) Cláudio Moura (Brasília-DF): os chilenos VERAMONTE (linha Reserva). Os vinhos em questão possuem preço internacional na faixa de US$ 12,00 e podem ser localizados no Brasil por volta de R$ 19,00-26,00. Uma “bocada” para capixabas, cariocas e candangos, pois nas suas cidades o vinho em questão está sendo comercializado com preço quase igual ao EUA (ao fim do post, há a relação de locais de venda e o comparativo com os preços do mercado americano).

Fiquei muito feliz com a postura ativa do Cláudio, pois um dos objetivos do blog, quando o criei, foi a dividir informações e aproximar os amigos. Diante da situação, resolvemos criar nova coluna no blog, qual seja a “Dica do leitor”. Na coluna, estamparemos vinhos que foram indicados por amigos leitores e, através do blog, a dica será compartilhada com todos. Vamos lá então:

Resenha sobre os vinhos da VERAMONTE

Antes de tudo, penso que é importante conhecer um pouco mais sobre os vinhos selecionados, até porque a dica do Cláudio incluiu não apenas a linha reserva da VERAMONTE, mas o vinho PRIMUS também produzido na vinícola.

O PRIMUS é o ícone (top) da VERAMONTE e, pelo que pude aferir da ficha técnica, é proveniente do Valle de Colchagua (Chile). Trata-se de corte (65% Cabernet Sauvignon, Syrah 20%, 8% Merlot, Carmenere 7%), com boa passagem em barricas (catorze meses, sendo 90% francesas e 10% americanas), que resulta num potente vinho de 14,5º. Não experimentei o PRIMUS, mas fiquei curioso, não só diante da dica do amigo, mas pelas informações que pude aferir, entre as quais que o enólogo responsável (Cristián Aliaga) tem seu trabalho ligado, inclusive no PRIMUS, ao competente enólogo Álvaro Espinoza (autoridade mundial indiscutível nos vinhos biodinâmicos). Fora isso, pude observar que o PRIMUS (safra 2007), obteve 91 pontos nos Descorchados 2008 e 90 pontos na Wine Advocate. Prometo que assim que experimentar o PRIMUS, farei um post específico (promessa é divida!)

Na visita ao site da Vinícola (http://www.veramonte.com/) é possível notar, que além da linha reserva e do “top PRIMUS”, há ainda outros produtos da VERAMONTE, representados por um Pinot Noir trabalhado (linha RITUAL) e um vinho feito com uvas argentinas (isso mesmo, argentinas de Mendoza) que é o CRUZ ANDINA (Malbec, com pequena parcela de Cabernet Sauvignon e passagem por dezesseis meses em barricas francesas). A feitura de vinhos com cepas de origem argentina, revela o espírito empreendedor da VERAMONTE que, segundo se notícia, adquiriu o comando empresarial da vinícola Neyen de Apalta (Vale do Colchágua) – http://www.winereport.com.br/winereports/negocio-do-chile/686

Ao final, há a linha RESERVA que foi alvo da indicação e de degustação de alguns exemplares. No site, vi que a linha reserva é composta de vinhos brancos (Sauvignon Blanc e Chardonnay), tintos (Merlot, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir) e um Rosé (Syrah, complementado por Merlot). Encontrei facilmente todos os vinhos acima, com exceção do Rose (único que não está na foto abaixo).

Posso dizer, desde já, que a apresentação dos vinhos é ótima (muito boa mesmo). Todas as garrafas são de alto nível (belas e espessas), com rotulagem limpa e de muito bom gosto (assinados por proprietário da vinícola – Agustín Huneeus). O MERLOT e o CABERNET SAUVIGNON possuem boas rolhas (em que está estampado o nome da vinícola) e cápsulas de metal de qualidade, sendo que nos demais (PINOT NOIR, SAVIGNON BLANC e CHARDONNAY) o fechamento é feito por “rosca” (tampas screwcap). São detalhes, mas tais preocupações mostram o zelo com que foi feito o vinho e, em boa parte das vezes, acaba refletindo em cuidados também com a parte mais importante do vinho: seu conteúdo (ou seja, o que está dentro da garrafa).

Abaixo, uma breve síntese, de alguns dados dos vinhos da linha reserva que tive acesso (preste atenção, pois há apesar de estarem na mesma linha, os vinhos não são simétricos em sua origem e produção):

  • CABERNET SAUVIGNON. Oriundo do Valle de Colchagua é um varietal de 13,5º, que é completado por 4% Merlot e 2% de Cabernet Franc. Passa por barricas (oito meses), sendo metade francesas e metade americanas (não aferi a questão do uso).  Parece ter mercado nos EUA, pois foi considerado “best buy” nas safras 2004 e 2005 pela Wine Enthusiat
  • MERLOT. Este varietal (que é balanceado com 6% Cabernet Sauvignon e 3% Cabernet Franc) também possui 13,5º de graduação alcoólica, mas diferentemente do Cabernet advém do Valle de Casablanca, não seguindo também a mesma receita de passagem por madeira, já que o Merlot passa apenas por barricas americanas (oito meses) – sem indicação do tempo de seu uso. Seu destino e prestígio parecem ser os mesmos do Cabernet Sauvignon, pois foi considerado “best buy” nas safras 2004 e 2005 pela Wine Enthusiat.
  • PINOT NOIR. Aqui temos 100% Pinot Noir do Valle de Casablanca, com passagem por nove meses de barricas francesas (sem indicação precisa do seu uso), que alcançam um resultado de potência alcoólica de 14º. Com 88 pontos na Wine Spectator (safra 2007) e igualmente 88 pontos na Wine Advocate (safra 2008), foi tratado como considerado “best buy” na safra 2006 pela Wine Enthusiat.
  • CHARDONNAY. A receita tradicional de vinhos com a cepa no Chile foi adotada neste varietal, senão vejamos: a procedência é o Valle de Casablanca, composição de 100% Chardonnay, graduação alcoólica de 13,5º e estágio em oito meses em barricas (metade francesas e metade americanas – sem indicação do uso).  Da mesma forma que os tintos, aparenta ter boa recepção nos EUA, sendo considerado uma boa compra por diversas publicações (como é o caso da Wine Spectator (safra 2005).
  • SAUVIGNON BLAC. Pelas notas técnicas, é um vinho bem fresco do Valle de Casablanca, com 13,5º de graduação alcoólica, sem contato com madeira. Ao se observar o seu reconhecimento internacional, colhe-se boas notas e a indicação de boa compra por várias publicações, entre as quais “TOP 100 BEST VALUE”, na safra 2006, pela WINE SPIRITS MAGAZINE.

 Os vinhos da VERAMONTE no “campo de ação”.

Com a indicação de boa compra (‘bocada’) do Cláudio Moura e já com os vinhos na mão, não tive dúvida e fui a campo para experimentar as “crianças”. Como já disse a apresentação é muito boa em todos os vinhos, com destaque especial para o MERLOT e o CABERNET SAUVIGNON que dão a impressão de estarem postados em garrafas para uma boa guarda (garrafas espessas, escuras, com rolha de qualidade e cápsula de metal).

 

Mas o que interessa é o que tem dentro das garrafas então vamos lá:

PINOT NOIR (SAFRA 2009). Comecei pelo PINOT NOIR, pois já fazia um tempinho que eu não experimentava um vinho varietal pinot noir chileno. Logo no começo, ficou mais uma vez provado que, de fato, a Pinot Noir é uva que apresenta mais variação nos seus resultados, pois a sua delicadeza rebelde desafia os produtores e se mostra diversa a cada solo que plantada. Assim, por favor, não espere um vinho da Borgonha. Você irá encontrar um vinho amadeirado e com peso de álcool, semelhante a outros exemplares do Chile. Há uma boa persistência na boca (e, sinceramente, o álcool não está atrapalhando, ao contrário, dá uma boa firmeza). Só achei que na boca fecha um pouquinho vegetal demais. No nariz, o vinho é bem agradável e alegra o ambiente logo tão logo aberta a garrafa. A cor é típica, ficando evidente se tratar de um varietal da pinot noir, só achei um pouco turvo (mas nada comprometedor).

MERLOT (SAFRA 2008). Abri o MERLOT no dia seguinte e o conjuguei com uma lasanha a bolonhesa. Não sei se a combinação ajudou, mas o MERLOT passou muito bem e posso dizer, desde logo, que na sua faixa de preço dificilmente você encontrará algo semelhante. Não senti exagero no nariz, a cor se revelou típica e agradável (com profundidade). Na boca, o vinho – apesar de novo – estava muito dócil, com taninos redondos. Não sei se já sugestionado pela passagem exclusiva por barricas americanas, achei o vinho com fechamento um pouco doce demais para meu gosto pessoal.  Não tenho dúvida que este vinho agrada ao mercado americano, parecendo ter sido moldado para tal. Acho que muitos vão gostar do vinho (especialmente os que apreciam vinhos do novo mundo). É uma opção segura boa para eventos grandes, em que há o consumo de várias garrafas e a escolha deve recair em produto com paladar macio e que vá agradar a todos.

CABERNET SAUVIGNON (SAFRA 2008). Posso dizer que senti duas sensações aparentemente contraditórias: (a) surpresa – o vinho está em nível acima dos demais da mesma faixa de preço (se eu mesmo não tivesse comprado, dificilmente acreditaria que este vinho custou no Brasil pouco mais de US$ 12,00); (b) porto seguro – a tríade de sentidos voltadas aos vinhos (nariz, boca e olhos) revela, imune de dúvidas, que estamos diante de um Cabernet Sauvignon chileno (numa degustação às cegas, é provável que fosse facilmente identificado com um vinho chileno varietal da rainha das uvas tintas). Este misto de aferições nos permite concluir sobre o vinho: (a) é um típico Cabernet Sauvignon chileno. Quem dúvida, basta observar o bom corpo e a goiaba presente na boca e no nariz, de forma flagrante; (b) seu preço não condiz com a qualidade do vinho, pois pouquíssimos são os vinhos disponíveis no Brasil – na faixa de preço em questão – que consiguem espelhar as características de um Cabernet Sauvignon do Chile trabalhado com zelo para o mercado internacional. Em suma, há vinhos parecidos com o CABERNET SAUVIGNON da linha reserva da VERAMONTE (já que segue uma receita para agrado do paladar internacional), contudo os preços dos “semelhantes” está bem acima do que está sendo praticado no Brasil em relação ao vinho apresentado.

  • SAUVIGNON BLAC (SAFRA 2009). Sinceramente, acima do que esperava. Vinho delicado, mas ao mesmo tempo exuberante. Com coloração agradável e até puxada para o cítrico, seu nariz é agradável, diminuindo na medida em que descansa na taça. Não há peso no ar, mas uma flagrância sutil que se revela na boca, após alguns segundos, em notas de lima, avançando ao maracujá. O vinho, apesar de presente em todos os sentidos, não é enjoativo e, na temperatura ideal, demonstrou ser uma ótima opção de SAUVIGNON BLANC do novo mundo, não disfarçando suas origens (assim, não espere ser nada parecido com os vinhos franceses do Loire ou de Bordeaux). Ótima opção para peixes e até para um queijo de cabra com ervas (alvo da minha harmonização).   Vale registrar, por fim, que o Sauvignon Blanc foi aprovado pelo Daniel Perches (do vinhos de corte)  em post no seu blog

Até o fechamento do post, não experimentei o Chardonnay (muito elogiado pelo Cláudio Moura). Quando o fizer, volto a escrever.

 

Preço dos vinhos: O melhor de tudo (comprando quase no preço dos EUA)

Uma pesquisa do mercado internacional, em especial nos EUA, demonstra que os vinhos da linha reserva da VERAMONTE são vendidos com o preço na faixa de US$ 10,00-12,00 dólares. Veja alguns links:

Diante do preço praticado no mercado internacional, poderia se esperar que estes vinhos custariam no Brasil pelo menos (com muito otimismo) na faixa de R$ 40,00 (quarenta reais). Contudo, a boa surpresa: os preços praticados aqui (em boa parte dos estabelecimentos em que vendidos) é quase igual aos valores encontrados nos EUA (foco mercadológico da vinícola, segundo se afere das informações colhidas pela internet).

A receita para tal façanha (ao que parece) é a mesma de vinhos como o DONA DOMINGA (Casa Silva) e o SANTA ROSA RESERVA (Família Zuccardi) que são objeto de importação em grande quantidade por consórcio de supermercadistas espalhados pelo Brasil. Tanto assim que a dica veio do Cláudio Moura de Brasília, que comprou o vinho no Supermaia. Eu localizei o vinho aqui em Vitória-ES no Extraplus (onde comprei os que experimentei) e, pela internet, achei os vinhos da VERAMONTE disponíveis no ZONA SUL (Rio de Janeiro). Tais estabelecimentos são os mesmos que estão comercializando o DONA DOMIGA e SANTA ROSA RESERVA.

Para se ter uma idéia do bom preço, no Supermaia (Brasília) qualquer vinho da linha reserva da VERAMONTE – segundo o Cláudio – está na faixa de R$ 25,00. No ZONA SUL, pelo site, achei os vinhos por R$ 26,98.

Para os capixabas, a notícia ainda é melhor:  No EXTRAPLUS (local de venda no ES) os vinhos brancos custam normalmente R$ 25,90 e os tintos R$ 23,90, mas entraram na promoção do Pack (“leve seis e tenha um preço especial”). Com isso, se você comprar seis garrafas (pode ser branco, tinto ou mix), cada uma sai por R$ 18,98 (isso mesmo R$ 18,98) uma “bocada sem tamanho”. Corra e compra um “pack”, pois vale pelo menos experimentar (o preço é convidativo).

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Coluna “Um pouco de humor”: Mais uma charge, pois afinal vinho combina com bom astral (e, porque não, uma boa risada).

Caríssimos, nosso blog conta com a colaboração do amigo (e irmão de sangue) Victor Mazzei – responsável pelo site de humor www.nadaver.com (visite, é muito bom!). Victor no nosso blog subscreve a coluna “Um pouco de humor”,  em que brinca com fatos que envolvem o vinho e, principalmente, seus personagens. Em outro presente, ele nos remete pequena charge sobre os (novos) enófilos de plantão. Como rir só faz bem, vamos lá:

Confira a postagem anterior que abriu a coluna “Um pouco de humor”:

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Vinhos para “harmonizar” com risoto de rabada com agrião (receita do Chef Bilu). Quer sair do trivial e arriscar? Vá de Nebbiolo ou Petit Verdot

Caríssimos, com ajuda do Chef Bilu, segue uma receita de risoto de rabada com agrião que permite harmonização muito interessante com vinhos de personalidade. Vamos lá então:

Vinhos que combinam com risoto de rabada com agrião. Para quem não quiser ousar, o risoto de rabada com agrião cai muito bem com os portugueses do DOURO, especialmente os mais encorpados. Não tem erro. Escolha o seu e mãos a obra (ou seja, a cozinha).

Agora, para aqueles que querem ousar um pouco mais, deixo duas sugestões de vinhos varietais para a harmonização com a receita em questão. Vou falar um pouquinho das uvas, até para atiçar a curiosidade dos que não as conhecem bem.

Vinhos da casta Nebbiolo. Se você optar por vinhos da Nebbiolo, provavelmente irá experimentar algum tinto italiano, pois com raríssimas exceções, os vinhos de excelência de tal variedade são advindos da região do Piemonte bem em cima da “velha bota”.

Os vinhos mais famosos (e caros) produzidos com a Nebbiolo são o BAROLO e o BARBARESCO. Para nossa harmonização, mas valerá um vinho NEBBIOLO de ótima qualidade, do que um BAROLO ou um BARBARESCO de qualidade discutível. Digo isso porque há “Denominações de Origem Controlada” (DOC) na Itália que estabelecem regras para a produção de vinhos com a cepa nebbiollo que não resultam no BAROLO ou no BARBARESCO, ou seja, vinhos varietais Nebbiolo que se apegam a outras regras de produção que não as do BAROLO ou do BARBARESCO. Para facilitar na localização de tais vinhos, no rótulo estará escrito NEBIOLLO (ainda que com algum complemento – como e o caso do NEBBIOLO D’ALBA ou NEBBIOLO LANGHE), acompanhado da sigla DOC (Denominação de Origem Controlada).  Abaixo a foto de dois exemplares (italianos, é claro) que gosto muito (melhores que alguns BAROLOS e BARBARESCOS disponíveis no mercado):

Os “NEBBIOLOS’ – de um modo geral – são mais macios que o BAROLO e o BARBARESCO, no entanto, diante da potência e dos taninos presentes, são vinhos com grande corpo e não devem ser bebidos jovens demais (pelo menos três anos a contar da safra, pois amadurecem, em regra – e até  por conta das próprias leis que envolvem a DOC –  por 12 meses em madeira). São excelentes para comidas um pouco mais pesadas, logo, maravilhosos para um risoto de rabada.

Vinhos da uva Petit Verdot   – A variedade Petit Verdot está marcada pelo seu uso em cortes, especialmente na França (na região de Bordeaux). Faz parte do rol de uvas que podem compor o “corte bordalés” (Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc,  Malbec e a Petit Verdot). Há vários vinhos muito famosos que contém a Petit Verdot em seu corte, ainda que em quantidades não muito elevadas (por exemplo: Château Margaux e o Château Latour). Contudo, mais recentemente a Petit Verdot passou a ser utilizada como uva para vinhos varietais, com resultados muito bons em diversas partes do mundo. Dentre os países que produzem bom varietal da uva em questão (e com disponibilidade no Brasil) destaco a Argentina, o Uruguai e a Itália (onde a uva é chamada de Colorino). Abaixo dois ótimos exemplares que podem ser encontrados no Brasil (o da esquerda italiano e o da direita argentino): 

Como varietal, a Petit Verdot produz vinhos vigorosos e com densidade. Na boca, percebe-se a fruta negra com potência (não é um vinho, definitivamente, discreto). Combina bastante com carnes de gosto forte e, portanto, seus vinhos fazem bonito com rabada (e porque não com um risoto de rabada).

A receita do Chef Bilu

Depois das nossas sugestões de vinhos, segue mais uma receita cedida de forma gentil pelo Chef Bilu para nosso Blog.

RISOTO DE RABADA COM AGRIÃO

  • Ingredientes:
    2 kg de rabada
    2 maços de agrião
    2 folhas de louro
    3 dentes de alho bem picados
    Suco de 1 limão
    400 ml de vinho branco seco
    400g de arroz arbóreo
    1 cebola grande bem picadinha
    4 colheres de sopa de azeite
    Caldo do cozimento da rabada
    Caldo do cozimento do agrião
    100 g de queijo parmesão ralado
    Sal e pimenta do reino a gosto

  • Preparo da rabada:

Retire o excesso de gordura da rabada, acrescente o suco do limão, os 3 dentes de alho picados, as folhas de louro, o sal e a pimenta- do- reino e deixe marinando de 15 a20 minutos.

Coloque a rabada e as folhas de louro em uma panela de pressão e complete com água. Deixe cozinhar de 40 minutos a 1 hora até que a carne esteja soltando do osso. Reserve o caldo (se desejar um risoto mais light leve o caldo a geladeira por 1 hora e depois retire o a película de gordura do caldo) e desfie a rabada.

Em outra panela cozinhe o agrião em aproximadamente 1 litro de água. Reserve também este caldo e corte o agrião em pedaços pequenos.

  • Preparo do risoto:

Esquente o caldo da rabada.

Em outra panela aqueça o azeite, acrescente a cebola bem picadinha e refogue, junte o arroz arbóreo refogue mais um pouco. Coloque o vinho branco e deixe evaporar um pouco, em seguida acrescente a rabada desfiada.

Junte o caldo da rabada aos poucos, sempre mexendo, quando o arroz estiver ao dente acrescente o agrião picado e o parmesão ralado, misture bem e sirva quente. Bom apetite!!!!

Obs.: O risoto deve ser feito em fogo alto e o caldo do agrião só será usado caso o caldo da rabada não seja suficiente para dar o ponto do arroz.

Confira mais receitas do Chef Bilu (e as respectivas harmonizações) no blog:

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