Dica do leitor: VERAMONTE (linha Reserva) – A “bocada da semana” [vinhos “best buy chileno” (na faixa de US$ 12,00 no EUA) no Brasil por R$ 19,00-26,00]

A melhor opção da relação custo benefício da semana foi indicada pelo leitor (e já amigo) Cláudio Moura (Brasília-DF): os chilenos VERAMONTE (linha Reserva). Os vinhos em questão possuem preço internacional na faixa de US$ 12,00 e podem ser localizados no Brasil por volta de R$ 19,00-26,00. Uma “bocada” para capixabas, cariocas e candangos, pois nas suas cidades o vinho em questão está sendo comercializado com preço quase igual ao EUA (ao fim do post, há a relação de locais de venda e o comparativo com os preços do mercado americano).

Fiquei muito feliz com a postura ativa do Cláudio, pois um dos objetivos do blog, quando o criei, foi a dividir informações e aproximar os amigos. Diante da situação, resolvemos criar nova coluna no blog, qual seja a “Dica do leitor”. Na coluna, estamparemos vinhos que foram indicados por amigos leitores e, através do blog, a dica será compartilhada com todos. Vamos lá então:

Resenha sobre os vinhos da VERAMONTE

Antes de tudo, penso que é importante conhecer um pouco mais sobre os vinhos selecionados, até porque a dica do Cláudio incluiu não apenas a linha reserva da VERAMONTE, mas o vinho PRIMUS também produzido na vinícola.

O PRIMUS é o ícone (top) da VERAMONTE e, pelo que pude aferir da ficha técnica, é proveniente do Valle de Colchagua (Chile). Trata-se de corte (65% Cabernet Sauvignon, Syrah 20%, 8% Merlot, Carmenere 7%), com boa passagem em barricas (catorze meses, sendo 90% francesas e 10% americanas), que resulta num potente vinho de 14,5º. Não experimentei o PRIMUS, mas fiquei curioso, não só diante da dica do amigo, mas pelas informações que pude aferir, entre as quais que o enólogo responsável (Cristián Aliaga) tem seu trabalho ligado, inclusive no PRIMUS, ao competente enólogo Álvaro Espinoza (autoridade mundial indiscutível nos vinhos biodinâmicos). Fora isso, pude observar que o PRIMUS (safra 2007), obteve 91 pontos nos Descorchados 2008 e 90 pontos na Wine Advocate. Prometo que assim que experimentar o PRIMUS, farei um post específico (promessa é divida!)

Na visita ao site da Vinícola (http://www.veramonte.com/) é possível notar, que além da linha reserva e do “top PRIMUS”, há ainda outros produtos da VERAMONTE, representados por um Pinot Noir trabalhado (linha RITUAL) e um vinho feito com uvas argentinas (isso mesmo, argentinas de Mendoza) que é o CRUZ ANDINA (Malbec, com pequena parcela de Cabernet Sauvignon e passagem por dezesseis meses em barricas francesas). A feitura de vinhos com cepas de origem argentina, revela o espírito empreendedor da VERAMONTE que, segundo se notícia, adquiriu o comando empresarial da vinícola Neyen de Apalta (Vale do Colchágua) – http://www.winereport.com.br/winereports/negocio-do-chile/686

Ao final, há a linha RESERVA que foi alvo da indicação e de degustação de alguns exemplares. No site, vi que a linha reserva é composta de vinhos brancos (Sauvignon Blanc e Chardonnay), tintos (Merlot, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir) e um Rosé (Syrah, complementado por Merlot). Encontrei facilmente todos os vinhos acima, com exceção do Rose (único que não está na foto abaixo).

Posso dizer, desde já, que a apresentação dos vinhos é ótima (muito boa mesmo). Todas as garrafas são de alto nível (belas e espessas), com rotulagem limpa e de muito bom gosto (assinados por proprietário da vinícola – Agustín Huneeus). O MERLOT e o CABERNET SAUVIGNON possuem boas rolhas (em que está estampado o nome da vinícola) e cápsulas de metal de qualidade, sendo que nos demais (PINOT NOIR, SAVIGNON BLANC e CHARDONNAY) o fechamento é feito por “rosca” (tampas screwcap). São detalhes, mas tais preocupações mostram o zelo com que foi feito o vinho e, em boa parte das vezes, acaba refletindo em cuidados também com a parte mais importante do vinho: seu conteúdo (ou seja, o que está dentro da garrafa).

Abaixo, uma breve síntese, de alguns dados dos vinhos da linha reserva que tive acesso (preste atenção, pois há apesar de estarem na mesma linha, os vinhos não são simétricos em sua origem e produção):

  • CABERNET SAUVIGNON. Oriundo do Valle de Colchagua é um varietal de 13,5º, que é completado por 4% Merlot e 2% de Cabernet Franc. Passa por barricas (oito meses), sendo metade francesas e metade americanas (não aferi a questão do uso).  Parece ter mercado nos EUA, pois foi considerado “best buy” nas safras 2004 e 2005 pela Wine Enthusiat
  • MERLOT. Este varietal (que é balanceado com 6% Cabernet Sauvignon e 3% Cabernet Franc) também possui 13,5º de graduação alcoólica, mas diferentemente do Cabernet advém do Valle de Casablanca, não seguindo também a mesma receita de passagem por madeira, já que o Merlot passa apenas por barricas americanas (oito meses) – sem indicação do tempo de seu uso. Seu destino e prestígio parecem ser os mesmos do Cabernet Sauvignon, pois foi considerado “best buy” nas safras 2004 e 2005 pela Wine Enthusiat.
  • PINOT NOIR. Aqui temos 100% Pinot Noir do Valle de Casablanca, com passagem por nove meses de barricas francesas (sem indicação precisa do seu uso), que alcançam um resultado de potência alcoólica de 14º. Com 88 pontos na Wine Spectator (safra 2007) e igualmente 88 pontos na Wine Advocate (safra 2008), foi tratado como considerado “best buy” na safra 2006 pela Wine Enthusiat.
  • CHARDONNAY. A receita tradicional de vinhos com a cepa no Chile foi adotada neste varietal, senão vejamos: a procedência é o Valle de Casablanca, composição de 100% Chardonnay, graduação alcoólica de 13,5º e estágio em oito meses em barricas (metade francesas e metade americanas – sem indicação do uso).  Da mesma forma que os tintos, aparenta ter boa recepção nos EUA, sendo considerado uma boa compra por diversas publicações (como é o caso da Wine Spectator (safra 2005).
  • SAUVIGNON BLAC. Pelas notas técnicas, é um vinho bem fresco do Valle de Casablanca, com 13,5º de graduação alcoólica, sem contato com madeira. Ao se observar o seu reconhecimento internacional, colhe-se boas notas e a indicação de boa compra por várias publicações, entre as quais “TOP 100 BEST VALUE”, na safra 2006, pela WINE SPIRITS MAGAZINE.

 Os vinhos da VERAMONTE no “campo de ação”.

Com a indicação de boa compra (‘bocada’) do Cláudio Moura e já com os vinhos na mão, não tive dúvida e fui a campo para experimentar as “crianças”. Como já disse a apresentação é muito boa em todos os vinhos, com destaque especial para o MERLOT e o CABERNET SAUVIGNON que dão a impressão de estarem postados em garrafas para uma boa guarda (garrafas espessas, escuras, com rolha de qualidade e cápsula de metal).

 

Mas o que interessa é o que tem dentro das garrafas então vamos lá:

PINOT NOIR (SAFRA 2009). Comecei pelo PINOT NOIR, pois já fazia um tempinho que eu não experimentava um vinho varietal pinot noir chileno. Logo no começo, ficou mais uma vez provado que, de fato, a Pinot Noir é uva que apresenta mais variação nos seus resultados, pois a sua delicadeza rebelde desafia os produtores e se mostra diversa a cada solo que plantada. Assim, por favor, não espere um vinho da Borgonha. Você irá encontrar um vinho amadeirado e com peso de álcool, semelhante a outros exemplares do Chile. Há uma boa persistência na boca (e, sinceramente, o álcool não está atrapalhando, ao contrário, dá uma boa firmeza). Só achei que na boca fecha um pouquinho vegetal demais. No nariz, o vinho é bem agradável e alegra o ambiente logo tão logo aberta a garrafa. A cor é típica, ficando evidente se tratar de um varietal da pinot noir, só achei um pouco turvo (mas nada comprometedor).

MERLOT (SAFRA 2008). Abri o MERLOT no dia seguinte e o conjuguei com uma lasanha a bolonhesa. Não sei se a combinação ajudou, mas o MERLOT passou muito bem e posso dizer, desde logo, que na sua faixa de preço dificilmente você encontrará algo semelhante. Não senti exagero no nariz, a cor se revelou típica e agradável (com profundidade). Na boca, o vinho – apesar de novo – estava muito dócil, com taninos redondos. Não sei se já sugestionado pela passagem exclusiva por barricas americanas, achei o vinho com fechamento um pouco doce demais para meu gosto pessoal.  Não tenho dúvida que este vinho agrada ao mercado americano, parecendo ter sido moldado para tal. Acho que muitos vão gostar do vinho (especialmente os que apreciam vinhos do novo mundo). É uma opção segura boa para eventos grandes, em que há o consumo de várias garrafas e a escolha deve recair em produto com paladar macio e que vá agradar a todos.

CABERNET SAUVIGNON (SAFRA 2008). Posso dizer que senti duas sensações aparentemente contraditórias: (a) surpresa – o vinho está em nível acima dos demais da mesma faixa de preço (se eu mesmo não tivesse comprado, dificilmente acreditaria que este vinho custou no Brasil pouco mais de US$ 12,00); (b) porto seguro – a tríade de sentidos voltadas aos vinhos (nariz, boca e olhos) revela, imune de dúvidas, que estamos diante de um Cabernet Sauvignon chileno (numa degustação às cegas, é provável que fosse facilmente identificado com um vinho chileno varietal da rainha das uvas tintas). Este misto de aferições nos permite concluir sobre o vinho: (a) é um típico Cabernet Sauvignon chileno. Quem dúvida, basta observar o bom corpo e a goiaba presente na boca e no nariz, de forma flagrante; (b) seu preço não condiz com a qualidade do vinho, pois pouquíssimos são os vinhos disponíveis no Brasil – na faixa de preço em questão – que consiguem espelhar as características de um Cabernet Sauvignon do Chile trabalhado com zelo para o mercado internacional. Em suma, há vinhos parecidos com o CABERNET SAUVIGNON da linha reserva da VERAMONTE (já que segue uma receita para agrado do paladar internacional), contudo os preços dos “semelhantes” está bem acima do que está sendo praticado no Brasil em relação ao vinho apresentado.

  • SAUVIGNON BLAC (SAFRA 2009). Sinceramente, acima do que esperava. Vinho delicado, mas ao mesmo tempo exuberante. Com coloração agradável e até puxada para o cítrico, seu nariz é agradável, diminuindo na medida em que descansa na taça. Não há peso no ar, mas uma flagrância sutil que se revela na boca, após alguns segundos, em notas de lima, avançando ao maracujá. O vinho, apesar de presente em todos os sentidos, não é enjoativo e, na temperatura ideal, demonstrou ser uma ótima opção de SAUVIGNON BLANC do novo mundo, não disfarçando suas origens (assim, não espere ser nada parecido com os vinhos franceses do Loire ou de Bordeaux). Ótima opção para peixes e até para um queijo de cabra com ervas (alvo da minha harmonização).   Vale registrar, por fim, que o Sauvignon Blanc foi aprovado pelo Daniel Perches (do vinhos de corte)  em post no seu blog

Até o fechamento do post, não experimentei o Chardonnay (muito elogiado pelo Cláudio Moura). Quando o fizer, volto a escrever.

 

Preço dos vinhos: O melhor de tudo (comprando quase no preço dos EUA)

Uma pesquisa do mercado internacional, em especial nos EUA, demonstra que os vinhos da linha reserva da VERAMONTE são vendidos com o preço na faixa de US$ 10,00-12,00 dólares. Veja alguns links:

Diante do preço praticado no mercado internacional, poderia se esperar que estes vinhos custariam no Brasil pelo menos (com muito otimismo) na faixa de R$ 40,00 (quarenta reais). Contudo, a boa surpresa: os preços praticados aqui (em boa parte dos estabelecimentos em que vendidos) é quase igual aos valores encontrados nos EUA (foco mercadológico da vinícola, segundo se afere das informações colhidas pela internet).

A receita para tal façanha (ao que parece) é a mesma de vinhos como o DONA DOMINGA (Casa Silva) e o SANTA ROSA RESERVA (Família Zuccardi) que são objeto de importação em grande quantidade por consórcio de supermercadistas espalhados pelo Brasil. Tanto assim que a dica veio do Cláudio Moura de Brasília, que comprou o vinho no Supermaia. Eu localizei o vinho aqui em Vitória-ES no Extraplus (onde comprei os que experimentei) e, pela internet, achei os vinhos da VERAMONTE disponíveis no ZONA SUL (Rio de Janeiro). Tais estabelecimentos são os mesmos que estão comercializando o DONA DOMIGA e SANTA ROSA RESERVA.

Para se ter uma idéia do bom preço, no Supermaia (Brasília) qualquer vinho da linha reserva da VERAMONTE – segundo o Cláudio – está na faixa de R$ 25,00. No ZONA SUL, pelo site, achei os vinhos por R$ 26,98.

Para os capixabas, a notícia ainda é melhor:  No EXTRAPLUS (local de venda no ES) os vinhos brancos custam normalmente R$ 25,90 e os tintos R$ 23,90, mas entraram na promoção do Pack (“leve seis e tenha um preço especial”). Com isso, se você comprar seis garrafas (pode ser branco, tinto ou mix), cada uma sai por R$ 18,98 (isso mesmo R$ 18,98) uma “bocada sem tamanho”. Corra e compra um “pack”, pois vale pelo menos experimentar (o preço é convidativo).

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10 Comentários

Arquivado em Dicas de Vinhos

10 Respostas para “Dica do leitor: VERAMONTE (linha Reserva) – A “bocada da semana” [vinhos “best buy chileno” (na faixa de US$ 12,00 no EUA) no Brasil por R$ 19,00-26,00]

  1. Zaneti

    Meu Caro Mazzei,

    Excelentes vinhos a buon mercato, como se diz na Itália. O Cabernet realmente surpreende. O Sauvignon Blanc é leve e agradável, servido na temperatura adequada é um sucesso confirmado com as gurias.

    Parabéns novamente pela blog e pelo texto acima. Abraço cordial do

    Zaneti

  2. Hamilton Rebello

    Mazzei,

    O blog está muito bom.

    Forte abraço,

    Rebello

  3. Fatima

    Experimentei o Cabernet Sauvignon Reseva é gostei muito. Boa dica. Aprovada. Fátima

  4. Fabio

    Curioso, tomo sempre o Pinot Noir e o Chardonnay dessa vinícola, ambos ótimos! O Pinot Noir tem características diferentes das afimadas aqui, com um toque forte de fruts vermelhas como morango e framboesa e uma presença de um aroma de… Coca-cola! Tomo ele sempre um pouco mais resfriado do que os outros tintos, por volta de 12-13 graus e o resultado não falha. Fiquei curioso pelo Cabernet!

    • Caro Fábio, eu ainda não experimentei o Chardonnay e vou voltar ao Pinot Noir, pois quero estar mais seguro. Cabernet eu já bebi tres garrafas e todas com o mesmo padrão (muito bom para o preço). A goiaba ao final está sempre presente. Quando experimentar me avise. Obrigado pelo comentário. Abraços, Rodrigo

  5. Evilazia

    Caro Rodrigo

    Descobri o seu blog hoje,vou acompanhar sempre

    Abraços

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