“Descorchando” o Primus 2007 (vinho ícone da Veramonte) [em promoção imperdível (“bocada”): preço dos EUA praticado no Brasil]

Em post anterior tratamos dos vinhos da VERAMONTE, linha reserva, que estão com ótimos preços no Rio de Janeiro (Supermercados Zona Sul), em Brasília (Supermaia) e no Espírito Santo (Extraplus). De fato, ratifico mais uma vez a boa relação custo benefício de tais vinhos (quem não leu ainda, vale conferir a matéria).Naquele texto, além de abordar os vinhos da linha reserva, falei um pouco sobre o top da vinícola VERAMONTE, qual seja: PRIMUS. No entanto, não coloquei naquele post minhas impressões, pois, até então não tinha experimentado o vinho. Agora, depois de ter degustado com atenção duas garrafas do PRIMUS 2007, em ocasiões distintas, deixo o meu relato sobre o vinho (que está numa grande promoção, conforme indicação na parte final do post).

 

PRIMUS 2007: alguns dados técnicos

PRIMUS é o ícone (top) da VERAMONTE, sendo um vinho de corte (Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot e Carmenére) com raízes no Valle de Colchagua (Chile). Assim, não confunda o vinho examinado com o seu “primo” (desculpe o trocadilho) da Argentina, pois a Bodega Salentein (Mendonza) também produz um vinho chamado “PRIMUS” (www.bodegassalentein.com).

 Merece registro que as garrafas que tive em prova eram da safra  2007.  A questão das safras é de suma importância, pois pude notar que os cortes do PRIMUS 2006 e 2007, embora compostos pelas mesmas uvas (Cabernet Sauvignon, Syrah,  Merlot e Carmenére), têm percentuais diferentes de participação das cepas. Confira-se: 

PRIMUS 2006: Cabernet Sauvignon 36%, Syrah 31%, Merlot 17% e Carmenére 16%. Fonte: http://www.vinhosdecorte.com.br/primus-2006/

PRIMUS 2007: Cabernet Sauvignon 65%, Syrah 20%, Merlot, 8% Carmenére 7%. Fonte: http://www.veramonte.cl/vinos/primus_especificacionestecnicas.html

 Com balanço diferente no corte nas duas safras, creio que o PRIMUS 2007 parece estar mais potente que o anterior, dada a grande percentagem do Cabernet Sauvignon no corte. O amigo DANIEL PERCHES (www.vinhosdecorte.com.br) experimentou primeiramente o PRIMUS 2006 (publicando post respectivo) e depois apresentou degustação do PRIMUS 2007 (com vídeo). Aparentemente, pelo que pude extrair das experiências Daniel, a alteração de percentuais das cepas gerou mudança significativa (aparentemente até no peso do vinho).  

 Na página oficial do produtor, constam os seguintes dados técnicos referentes à safra 2007:

Enólogo: Cristian Aliaga
Tempo de Barricas 14 meses, sendo 90% barricas francesas e 10% em americanas (25% novas)
Acidez: 4.19 g/l
OH: 3.56
Graduação alcoólica; 14.5%

Ainda consta na página da vinícola que Álvaro Espinoza (autoridade mundial indiscutível nos vinhos biodinâmicos) presta assessoria junto à VERAMONTE.

A safra 2007 (ou seja, a que experimentamos) vem recebendo algumas recomendações de críticos, como é o caso da Wine Advocate (90 pontos) e nos Descorchados 2011 – versão chilena (89 pontos). Por fim, tem se dito que a safra 2007, de um modo geral, foi melhor do que a safra 2006 no Chile, sendo considerada colheita que propiciará vinhos com boa longevidade

No “campo de prova” com o PRIMUS 2007

(a)   Apresentação. O vinho possui apresentação excelente. Ótima garrafa (vidro bem escuro e espesso), rolha de cortiça com o emblema do vinho (PRIMUS), cápsula de metal muito boa e rotulagem discreta (mas agradável). Nas mãos aparenta ser vinho que no mercado nacional custaria acima de R$ 100,00, dada a qualidade do material que acolhe o conteúdo do vinho.

(b)   Coloração da taça: O vinho é bem escuro e profundo. A cor que indica ser um vinho de guarda e se difere daquela cor de vinho jambo de muitos exemplares chilenos. Aos olhos, sem “forçar a barra”, lembrou um corte de Bordeaux.

(c)   Nariz. Nas duas oportunidades achei o vinho um pouco fechado no nariz. Mesmo após repousar mais de uma hora no decanter, o seu aroma ficou preso. Somente depois, já na taça, que senti notas mais fortes (tostado e uma discreta fruta escura).

(d)   Boca. O vinho não está no seu auge e tal constatação fica clara na boca, ou seja, o PRIMUS 2007 parece estar sem seu resultado final completo. Não se percebe madeira agressiva [apesar de presente sem exageros – talvez pelo pouco uso de carvalho americano (só 10% do total das barricas)]. A Cabernet Sauvignon – no momento – predomina e deixa o vinho duro. No fundo há especiarias e o álcool ainda está um pouco forte. Quem espera uma explosão de frutas, este vinho definitivamente irá decepcionar, pois estas estão presentes de forma bem sutil, parecendo estar reprimidas.

A leitura das observações acima pode levar a conclusão de que não gostei do vinho. Contudo, não foi isso que ocorreu. Posso dizer em linhas muito curtas que o vinho não esconde sua descendência chilena, no entanto não parece ser um típico vinho do Chile atual. Posso estar enganado, mas a impressão que ficou foi a de construção de vinho que ainda está em plena evolução, ainda não tendo chegado ao seu “ponto”. Ao mesmo tempo em o vinho é de uma potência flagrante (até mesmo em razão dos seus 14,5º de álcool), prestando atenção você encontrará especiarias finas. O paladar que se pretendeu com este vinho não se resume em fruta madura, mas em conjunto mais complexo e delicado (que para se firmar precisará de mais tempo de garrafa).

Sem dúvida, é o vinho mais elegante dos que provei da VERAMONTE e se distância dos vinhos da linha reserva da vinícola, pois a sua proposta não parece ser de vinho de “dia a dia” para o mercado americano. O detalhe de pouco uso de carvalho americano, na minha visão, é revelador do objetivo que se pretende com o PRIMUS 2007. Chego arriscar que este vinho é capaz de agradar aos admiradores de vinhos do velho mundo com muita potência.

O vinho comentado, acredito, tem ótimo potencial de guarda (acima da media dos tintos chilenos). Assim, diante do preço que está sendo praticado aqui no Brasil, não tenho dúvida que vale a pena comprar mais de uma garrafa e ir testando a evolução do vinho.

Do excelente preço praticado no Brasil

Segundo o amigo Conrado Ventura (residente nos EUA e autoridade em vinhos daquele país), o PRIMUS tem preço médio de US$ 18,00 nos Estados Unidos. A informação é corroborada por rápida pesquisa na internet:

http://www.winehoarder.com/discussion/1374/veramonte-primus-2007-for-17.10-wine-legend

http://www.snooth.com/wine/veramonte-primus-2007-1/

No Chile este vinho sai por volta de R$ 35,00-40,00, situação que implicaria num preço mínimo de R$ 90,00-100,00 aqui no Brasil. Contudo não é o que ocorreu, para nossa sorte.  O vinho está sendo importado por consórcio de supermercadistas, que acabam sendo ao mesmo tempo distribuidores e varejistas. A situação permitiu a venda do PRIMUS 2007 no Brasil com preço próximo ao praticado nos EUA (o que é uma façanha). Pelo que pude aferir, o PRIMUS 2007 vem sendo vendido em Brasília pelo SUPERMAIA, no Rio de Janeiro pelo ZONA SUL e no Espírito Santo pelo EXTRAPLUS, com preço na faixa de R$ 40,00-R$ 50,00. Confira:

http://www.zonasulatende.com.br/Produto/Vinho_Tinto_Chileno_Veramonte_Primus_Garrafa__750_mL_2007_–61342

http://www.extraplus.com.br/loja/produtos.asp

No entanto, os capixabas tiveram um pouco de sorte a mais, pois o EXTRAPLUS colocou as últimas garrafas a venda numa super promoção: ‘Pack – compre 06 garrafas, que cada uma sai por R$ 30,00’. Logo, com R$ 180,00, você pode comprar seis garrafas e ir vendo o desenvolvimento do PRIMUS 2007.  Eu já comprei meu “pack” e aconselho que façam o mesmo, pois a promoção é por tempo limitado e o estoque parece não ser grande.

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10 Comentários

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10 Respostas para ““Descorchando” o Primus 2007 (vinho ícone da Veramonte) [em promoção imperdível (“bocada”): preço dos EUA praticado no Brasil]

  1. É, esse aí é dos poucos que a gente paga sem chorar com o “custo Brasil”.
    Aqui no Rio, no Zona Sul, já andou custando menos. Vez por outra entra numa promoção.
    E é um vinho longevo sim. E resistente! Escrevi sobre ele esse ano, uma garrafa da safra de 2005, que ainda não tinha Syrah no corte.
    Comprar algumas garrafas pra ir acompanhando sua evolução é uma boa pedida. Ainda mais agora que corremos o risco de sofrer os respingos da canetada que ele levou do Parker.

    Abs

    • Vou conferir seu post. Sua informação sobre a safra 2005 ratifica que é um corte com muita variação, ano a ano.Agora, fiquei curioso: este vinho já esteve abaixo de R$ 30,00 no Zona Zul? Obrigado pela participação. abraços, Rodrigo (obs.: acho seu blog de grnade bom gosto)

      • Rodrigo.
        Eu já o comprei algumas vezes na faixa dos 30 reais. O 2006 aqui vende em meia garrafa. Acho que por uns 26 reais, se não me engano. Mas só em alguns “Zona Sul”.
        Agradeço o elogio. Sempre dou uma sacada nas suas “bocadas” tb. Abs

      • Muito bom. Quando for no Rio vou procurar esta meia garrafa. As “bocadas” tem que ser compartilhadas. Se gosta de vinho branco, na Ville du Vin tem uma magnum de TREBBIANO D’ABRUZZO num preço muito bom (eu postei a respeitoantes do PRIMUS). Abraços, Rodrigo

  2. Olá Rodrigo, tudo bem?
    Já degustamos diversos vinhos da Veramonte e postamos lá no Blog, dá uma olhada lá. Neste link estão separados todos os vinhos: http://levinaublog.blogspot.com/search?q=Veramonte
    Venho provando o Primus e a linha reserva em várias safras. O 2005 foi o melhor dos Primus. Tanto a 2006 quanto a 2007 acho que ainda vai evoluir muito na garrafa, Tenho uma garrafa 2006 na adega que pretendo gardar por um bom tempo. Estou guardando também uma Reserva Merlot 2008 que acho que vai surpreender com mais algunns anos.

    Abs.,

    • Caro Cláudio, entrei no blog e vi que vc e a Rafaela já experimentaram vários vinhos da VERAMONTE. Estes vinhos só chegaram a Vitória-Es este ano e, ainda assim, alguns exemplares não aportaram por aqui (como é o caso do RITUAL PINOT NOIR, que vi que vc´s também já degustaram). Gostei bastante do blog (vou freqüentar de agora em diante) e dos comentários sobre os vinhos. Fiquei – no bom sentido – com uma ponta de inveja pelo fato de vc´s terem acesso ao PRIMUS 2005 e 2006, pois eu gostaria de ter comparado com o 2007. Este tipo de degustação vertical é a que mais gosto. Posso estar enganado, mas o PRIMUS 2007 é um vinho que vai evoluir por – no mínimo – uns três-quatro anos. Sem fazer comparações (mas já assim fazendo), eu bebi um EPU 2001 em 2005 que estava tão fechado quanto o PRIMUS 2007. A diferença maior estava na percepção no EPU já aquela época da Carmenére (no Primus 2007 a Cabernet está muito forte e esconde o resto do corte). No fim de 2009, abri outra garrafa do EPU 2001 que guardei e, para minha feliz surpresa, foi um dos vinhos mais equilibrados que já bebi com certeza. Quem sabe acontece o mesmo com o PRIMUS 2007. Se vc localizar algum vinho com preço muito bom no Zona Sul me avise, pois provavelmente o encontrarei aqui em Vitória-ES no Extraplus. Obrigado pelo comentário e abraços (extensivo a Rafaela), Rodrigo

  3. Igor Basilio

    Sempre fiquei desconfiado de vinhos com muitas uvas. Tal impressão, porém, talvez seja resultado da minha pouca experiência com vinhos.
    No entanto, depois de conferir este exemplar do Primus – Veramonte realmente achei interessante o sabor da composição das uvas.
    Este vinho foi um bom companheiro para um momento dificil e de profunda reflexão. Me trouxe uma alegria que contagiou até nos momentos após do fim da garrafa!
    Ótima recomendação!!!

  4. bkato

    Só para registrar, comprei o Primus hoje por 24 reais.

    • Rapaz, isso é que é bocada! Melhor peço que vi sendo praticado. Parabéns pela compra (mais barato que nos EUA) Qual o estabelecimento e safra do PRIMUS? (quero atualizar o post com sua informação). Ah, acabei e postar sobre o PRIMUS 2008 que já stá a venda. Abraços, Rodrigo

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