Arquivo do mês: julho 2011

Châteauneuf-du-Pape: em resenha bem apertada

Um grande amigo, recentemente, conheceu o vinho Châteauneuf-du-Pape (devidamente harmonizado com uma bela peça de cordeiro). Ele ficou maravilhado com o vinho que experimentou e me pediu algumas informações sobre o  francês do Vale do Rhône. Aproveitei a solicitação e fiz um pequeno post, bem resumido, sobre o afamado vinho.

  • Informações básicas

O vinho Châteauneuf-du-Pape está vinculado a uma AOC [(Appellation d’origine contròlée) ou seja, é um vinho de designação de origem controlada] situada no sudeste da França, sendo a denominação mais cohecida da parte sul do Vale do Rhône. As vinhas localizam-se em torno de Châteauneuf-du-Pape e das localidades vizinhas  e cobrem pouco mais de 3.200 hectares.

O nome está ligado à igreja católica, pois no século XIV o papado teve a sua residência de verão no local onde produzido o vinho, apreciando-o, com destaque especial a relação de João XXII com o vinho em questão. Resumidamente, Châteauneuf-du-Pape é o nome de um castelo construído pelo papa João XXII, sucessor de Clemente V  (é uma história longa e interessante, que vale um post próprio).

A legislação que envolve o vinho Châteauneuf-du-Pape permite uma mescla com muitas variedades de uvas (tintas e brancas). Apesar da permissão de tantas, uvas, o espaço para as brancas tem diminuído e ordinariamente o blend do vinho Châteauneuf-du-Pape é comandado pela grenache (a irmã da granacha da Espanha), sendo coadjuva quase sempre pela mourvèdre ou pela syrah.

O sistema AOC tem raízes em 1935 e a permissão do uso de tantas uvas no blend (13 no total – veja tabela abaixo) se dá pela variedade de terroir da região (solos de areia, a cascalho, barro vermelho e depósitos aluviais). A situação permite uma grande variação nos vinhos da AOC. Contudo, há uma característica que tornam os vinhedos de Châteauneuf-du-Pape impares: os seixos (pedras) que são encontradas na maioria dos lugares e que de noite soltam o calor absorvido de dia, com a luz e o sol.

  • Robert Parker e o Châteauneuf-du-Pape

 Vale lembrar que o vinho Châteauneuf-du-Pape passou por processo de “renascimento”, pois durante um período a maioria dos vinhos produzidos eram considerados “medíocres” (ao menos no gosto internacional). O ressurgimento, com a melhora de qualidade de boa parte dos vinhos, é atribuído por muitos a Robert Parker (o famoso crítico americano) que passou a fazer provas dos vinhos (e talvez o afinando para seu gosto). Verdade é que a postura de Parker acabou por divulgar o vinho antigamente muito famoso, mas que estava numa fase de ostracismo no mercado mundial. Há quem diga (e com fundamento) que a influência de Robert Parker criou um estilo de Châteauneuf-du-Pape mais potente e alcoólico ao que originariamente se produzia.

 

  • Pequena tabela (resumitiva) que pode ser útil

Segue abaixo uma tabela com os contornos do vinho e as harmonizações mais comuns

 Nome Châteauneuf du Pape
Localização Próximo da cidade de Avignon
 Lugares  Châteauneuf du Pape, Orange, Sorgues, Courthézon
 Solo Boa variação, mas maioria com pedras de quartzo e algum barro vermelho. Seixos fazem a diferença com a retenção de calor.
 Tamanho 3.100  ha (7.600 acres)
Produção  13,5 milhões de garrafas
(praticamente tudo tinto, apenas 1% de vinho branco)
Uvas 13 variedades de uvas permitidas:
 Grenache, Syrah, Mourvèdre, Cinsault, Muscardin, Cournoise, Clairette, Bourboulenc, Picpoul, Roussanne, Terret Noir, Picardan, Vaccarese
Corpo A maioria dos tintos são vinhos com peso (especialmente os com o “novo perfil” do vinho – pós Parker). Os brancos não costumam ter bom corpo, mas os com presença maior da Roussanne costumam ser mais cheios e aromáticos. 
Guarda aproximada: Tintos 05 a 20 anos (dependendo da safra, do vinho e do produtor). Brancos: consumo imediato e, os de guarda, de 02 a 05 anos.
Boas safras 2005, 2004, 2003, 2000, 1998, 1995, 1990, 1989, 1988. Se encontrar uma garrafa de bom produtor da safra 2005 só deixe de comprar se o preço estiver salgado.
Aromas e boca  Baunilha
Frutas vermelhas (alguns com cereja marcante)
Canela
Alimentos Carne assada, Caça, Pata de  Cordeiro
Coq au vin
Queijo: Combina bem com Roquefort e Langres (entre outros)

 

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Panela de barro de Goiabeiras (Vitória-ES): agora com Indicação Geográfica deferida (fuja das imitações!)

Comer uma boa moqueca capixaba é um prazer indescritível. Ainda mais se harmonizada com um bom vinho…. casa perfeito com Sauvignon Blanc, pode ir sem medo. Agora, moqueca capixaba só é moqueca capixaba se feita na panela de barro original, que só são feitas num lugar: Goiabeiras (Vitória-ES).  As panelas de Goiabeiras são produzidas artesanalmente com a argila retirada do barreiro do Vale do Mulembá, na ilha de Vitória. O tanino, usado para a impermeabilização das peças, é obtido da casca do mangue vermelho. Tanto a extração da argila como a retirada do tanino são feitos de forma sustentável, garantindo a conformidade com a legislação ambiental. As panelas são produzidas artesanalmente e vendidas, em sua maior parte, por encomenda.

Pois bem, recebi agora e-mail de Kelly Lissandra Bruch informando que o INPI deferiu a Indicação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência, para a panela de barro de Goiabeiras. O deferimento foi publicado na RPI do dia 26 de julho de 2011. A partir desta data, a Associação das Paneleiras de Goiabeiras (APG) terá um prazo de 60 dias para efetuar o pagamento da taxa prevista para expedir o certificado de registro. Com o registro das panelas de Goiabeiras, sobe para onze o número de produtos brasileiros com procedência certificada através da Indicação Geográfica. A certificação protege os produtos de eventuais falsificações, garantindo sua procedência e aumentando sua competitividade.

A Indicação de Procedência para o artesanato brasileiro vem crescendo: a primeira foi deferida para o artesanato do capim dourado do Jalapão, no início deste mês, e a segunda, agora, para as panelas de barro. Segundo o técnico de IG que examinou este último pedido, o período de análise durou cerca de um ano apenas, pois o processo não sofreu nenhuma exigência. (fonte: www.inpi.gov.br e Kelly Lissandra Bruch).

Então, vamos cortar cebola, tomate e coentro, separar o urucum e preparar uma super moqueca com Indicação Geográfica, ou seja, com panela de barro de Goiabeiras. Ah, e para acompanhar, abre um Sauvignon Blanc…. (O Veramonte Reserva Sauvignon Blanc – alvo de post anterior -vai muito bem, já testei). Só de pensar, já estou com agua na boca.

Só para fechar: se já existia a máxima de que “moqueca: só capixaba, o resto é peixada”, agora há uma nova: “panela de barro: só a capixaba (e de Goiabeiras), o resto é tijela”. rsrsr

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Coluna um pouco de humor: O controvertido selo fiscal sobre a ótica do humor (charges, afinal rir é sempre bom!!)

 Sinceramente não tenho uma opinião fechada sobre a questão do selo fiscal e confesso que a cada dia fico mais tendente a me posicionar de forma contrária. Eu li, faz alguns dias, excelente matéria na revista ADEGA, nº 68, que afirma que o custo do selo é muito acima do valor unitário de 0,04 centavos de real por garrafa. Isso porque o uso do selo fiscal implicará, entre outras coisas, em medidas diversas de natureza burocrática, gerará despesas de manuseio, poderá afetar a necessária cadência célere no desembaraço aduaneiro e sujeitará os importadores a disponibilidade dos selos (já havendo notícia que a Casa da Moeda e a Receita Federal em alguns locais não estão conseguindo atender os importadores a contento). Quem tiver a revista, vale conferir e ver os bons argumentos contrários ao selo fiscal.

 Como se vê, o assunto é sério e merece reflexão. Contudo, isso não significa que devemos perder o humor, pois nessas horas uma boa risada ajuda a relaxar e até pensar melhor sobre o assunto. Por tal passo, com a ajuda do amigo Gilson Pimentel, seguem duas charges com personagem já famoso no mundo do vinho – GORDO da RAVIN – enfrentando o espinhoso tema. Vale conferir, pois afinal rir ó faz bem.

 Só para fechar (e para a alegria do GORDO): a exigência do selo foi alvo de ação judicial [mandado de segurança n° 0057324-16.2010.4.01.3400 impetrado pela ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS EXPORTADORES E IMPORTADORES DE ALIMENTOS E BEBIDAS (ABBA)], já tendo sido proferida sentença que afasta a exigência do selo fiscal pelo MM Juiz Federal HAMILTON DE SÁ DANTAS (21ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal (Tribunal Regional Federal da Primeira Região), vide anexo: 20110720_503572340024521-07-2011 – Sentença. Será que o GORDO tem razão ?

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Degustação às cegas: Brunellos di Montalcino safra 2002 versus Rossos di Montalcino safras 2005 e 2007, qual o resultado do embate? Será que a máxima “mais vale mais um Rosso di Montalcino bom do que um Brunello ruim” triunfou? Leia e se surpreenda.

Em matéria anterior, afirmei que “mais vale mais um Rosso di Montalcino bom do que um Brunello ruim. Tal máxima [que – na verdade – não é uma fala originalmente minha (ouvi a frase na Itália)] causou repercussão no blog e houve quem duvidasse que algum Rosso di Montalcino se saísse melhor numa degustação do que um Brunello, mesmo que o último fosse de uma qualidade inferior (“um Brunello ruim”).

Dois Rossos e dois Brunellos di Montalcino: os vinhos degustados no confronto

Assim, surgiu a idéia de concretizar (em degustação às cegas) o desafio. Para tanto, com a idéia de conseguir Brunellos di Montalcino com qualidade abaixo da média normal, ficou acertado que somente poderiam participar vinhos da safra 2002, que é notadamente uma safra medíocre (a pior até agora do século XXI) e que, como narrado na matéria anterior, fez com que alguns produtores até abrissem mão de produzir Brunellos de tal colheita (vide o post). Quanto às Rossos di Montalcino, ficou acertado que estes poderiam ter safras de escolha livre, ficando apenas vedado que não seria possível trazer os tops da categoria, ou seja, a escolha de produtor e safra era permitida, tão somente se evitando trazer edições especiais de Rossos para se evitar desigualdade no embate. Seguindo esta bússola, os quatro vinhos degustados (dois Rossos e dois Brunellos) foram os seguintes:

  • Rosso di Montalcino Donatella Cinelli Colombini – safra 2005 (preço praticado no Brasil na faixa de R$ 85-110,00). Vide link do vinho.
  • Rosso di Montalcino Collosorbo – safra 2007 (preço praticado no Brasil na faixa de R$ 95-130,00). Vide link do vinho.
  • Brunello di Montalcino Etruria – safra 2002 (vinho não vendido no Brasil, com preço na faixa de Eu$ 50,00 – cinquenta euros na Itália). Vide link do vinho.
  • Brunello di Montalcino Camigliano – safra 2002 (preço praticado no Brasil na faixa de R$ 160,00 -200,00).  Vide link do vinho.
Contra-rótulo dos vinhos degustados

Registre-se que a degustação foi feita com quatro participantes (Eu, Luciano Robert, Gustavo Mangueira e Max Roland) e com a seguinte metodologia:

(a) todos os vinhos foram postos no decanter para oxigenação no mesmo tempo;

(b) os decanters foram etiquetados com símbolos que correspondiam às garrafas (adesivadas por baixo com o mesmo símbolo). A etiquetagem foi feita por pessoa que não participou da degustação, em separado, e longe da presença dos degustadores;

(c) a ordem de degustação foi sequencial (decidida na hora pelos degustadores), de modo que cada vinho foi apreciado no mesmo momento por todos, cada um em taça separada;

(d) foi permitido, ao final da série (degustação dos quatro vinhos) o retorno a qualquer dos vinhos degustados, complementando-se as taças;

(e) os dados técnicos de cada vinho ficaram disponíveis para cada degustador (sem, contudo, o manuseio das garrafas ou acesso às rolhas);

(f) a ficha de avaliação determinava que o desgustador indicasse se o vinho degustado era um Brunello ou um Rosso  para, após, cravar para cada vinho nota de 2 a5 (cinco para o melhor vinho, decrescendo até dois para o pior – sem possibilidade de notas iguais);

(g) além da entrega das fichas, as notas e considerações sobre cada vinho foram feitas de forma oral por cada degustador;

(h) com as notas e considerações, ao final, foram tirados os adesivos das garrafas obtendo-se o resultado final.

Vinhos no decanter (sem identificação das garrafas por vinhos).

Pois bem, pergunto aos amigos: qual foi o resultado final? Eu respondo: uma vitória triunfante dos Rossos di Montalcino sobre os Brunellos. E mais: dos quatro vinhos degustados, um Brunello (Etruria) e um Rosso (Donatella Cinelli Colombini) foram identificados de forma unânime, ou seja, a tipicidade ficou evidente e não confundiu nenhum dos participantes. Contudo, um Brunello (Camigliano) e um Rosso (Collossorbo) não foram identificados por dois dos degustadores com tais, ocorrendo a inversão de identificação (sinal de que é possível que um bom Rosso di Montalcino pode se passar por um Brunello, se a atenção não estiver redobrada e se o nível do Rosso for muito bom). Para finalizar, na soma das notas (valendo aqui a qualidade do vinho e não sua identificação) os Rossos tiveram avaliações surpreendentemente acima dos Brunellos, confira-se as notas finais:

  • Rosso di Montalcino Donatella Cinelli Colombini (2005): 18 pontos
  • Rosso di Montalcino Collosorbo (2007): 16 pontos
  • Brunello di Montalcino Etruria (2002): 11 pontos
  • Brunello di Montalcino Camigliano (2002): 12 pontos

Não tenho dúvidas que o ruim desempenho dos Brunellos está ligado a péssima safra de 2002 e a escolha dos Rossos di Montalcino de safras boas e mais quentes, fazendo com que estes se apresentassem bem e numa escala evolutiva interessante. Por isso, não parece ter sido por acaso o sucesso do Rosso di Montalcino da safra 2005.

Assim, a máxima (“mais vale mais um Rosso di Montalcino bom do que um Brunello ruim”) se demonstrou verdadeira no resultado do embate, ficando a impressão de que os Brunellos da safra 2002, de fato, não são superiores aos bons Rossos di Montalcino de safras mais felizes, notadamente se produzidos por bons produtores (como foi o caso dos vinhos examinados).

No entanto, o resultado (de certa forma surpreendente pelos números finais – dada a distância dos Rossos para os Brunellos) acabou por gerar a novo desafio: Será possível o mesmo confronto se a safra for livre para os Brunellos? Haverá espaço para os Rossos di Montalcino disputarem se a safra for liberada para todos os vinhos? Em outras palavras, será que diminuindo a vantagem dos Rossos [obrigatoriedade da safra 2002 (ou seja, uma bem ruim) para os Brunellos], os Rossos di Montalcino terão o mesmo desempenho vencedor? Daqui duas semana faremos o novo desafio e o resultado será publicado no blog. Confesso que fiquei curioso (e emplogado) com a revanche proposta pelo degustador Max Roland (imediatamente aceita por todos os demais participantes).

E para finalizar, faço uma indagação: olhando a foto abaixo, você consegue dizer com segurança se o vinho que está na taça (participante do desafio) é um Brunello ou um Rosso di Montalcino? Pense bem, pois há chance de você errar….

Brunello ou Rosso?

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Você conhece o “pen rolha” ou o “rolha drive”? Solução com criatividade para os enófilos não perderem dados importantes.

Não faz muito tempo, estive numa apresentação de vinhos franceses da importadora DACONFRARIA (www.daconfraria.com.br). Na ocasião, após a apresentação dos vinhos pelo conhecido especialista Carlos Cabral, de forma gentil os convidados foram presenteados como um “pen rolha” ou um “rolha drive” gravado o nome da importadora, cujo conteúdo era o catálogo completo dos seus vinhos.

Sem dúvida, além da cortesia, a importadora se valeu de uma excelente “jogada de marketing” interessante, pois os convidados dificilmente dispensaram a lembrança que contém dados importantíssimos dos vinhos por ela importados (um catálogo bem completo, com fichas técnicas e boas fotos), com a vantagem do fácil transporte e guarda pelo por aquele que foi presenteado.

Alguns vinhos da DACONFRARIA me chamaram a atenção e serão objeto de post futuro (um deles inclusive com harmonização pelo Chef Bilu), mas a idéia do “pen rolha” com o catálogo merece registro elogioso e pode ser bom exemplo para outras importadoras. O amigo Silvestre do Blog Vivendo a Vida (www.vivendoavida.net)  – também presente na exposição – fez boa pesquisa e verificou que o nome correto não é “pen rolha” (muito menos “rolha drive”). Na realidade, trata-se de produto cujo nome correto é “Wine Stopper USB Memory Stick”, desenvolvido por Arwye Wan. Vale conferir a boa matéria do Silvestre. 

 Acessando a internet, vi que não é difícil localizar o produto, ficando para os amigos alguns links para quem quiser comprá-lo ou pelo menos conferir mais de perto (há uma boa variação de preço, de acordo com a capacidade da mídia). Confira:

http://www.kinkyland.com.br/details/PENDRVROLH/pen-drive-rolha-4gb

http://www.navitrinebrasil.com.br/produtos.asp?produto=50

http://www.coisasgeniais.com.br/Produto—Geek-Pen-Drive-Rolha-de-Vinho-2GB-versao-8-8.aspx

Para finalizar, confesso que sou meio preconceituoso com as tampas de roscas e a importadora DACONFRARIA me deu mais um motivo para continuar reclamando pelas rolhas de cortiça: a possibilidade de guardar dados. rsrsrsr

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BOCADA DA SEMANA: Primus 2008 (vinho top da VERAMONTE) – Nova safra (com nova composição no blend) que mantém o preço promocional (R$ 29,90).

Semana última tive uma ótima notícia: chegou a safra 2008 do PRIMUS, vinho top da chilena Veramonte, que já foi alvo de comentário em dois posts anteriores (linha completa da vinícola e análise do PRIMUS 2007). A boa surpresa veio acompanhada da constatação de que o vinho (um verdadeiro best buy) continua no mesmo preço promocional (R$ 29,90) para quem adquire seis garrafas (promoção do EXTRAPLUS, Vitória-ES). Ou seja, o preço  promocional mantém o vinho como uma das melhores opções na relação custo benefício de tintos chilenos de bom gabarito [pude notar no EXTRAPLUS, que ainda há uma boa quantidade de garrafas da safra 2007, de modo que o interessado pode adquirir seu pack (conjunto de seis) conjugando as duas safras].

PRIMUS : comparativo dos rótulos das safras 2007 (direita) e 2008 (esquerda)

Visualmente, como se vê acima, há uma mudança sutil no rótulo, pois agora (safra 2008) não consta mais o nome das uvas que compõem o corte do PRIMUS, mas apenas a expressão “THE BLEND” (inexistente na safra 2007). Tal fato é interessante, pois como já aferimos na matéria anterior sobre o PRIMUS, a Veramonte lança o vinho a cada ano com corte diferente, observando – segundo divulgado pela bodega – as melhores uvas colhidas. Assim, ao longo das safras, o PRIMUS possui composições diferentes. No ano de 2008 o PRIMUS foi formado pela conjunção das mesmas uvas do ano 2007, contudo com percentuais diferenciados, a saber:

PRIMUS 2007:  65% Cabernet Sauvignon + 20% Syrah + 8% Merlot + 7% Carmenére
PRIMUS 2008:  46% Cabernet Sauvignon + 20% Syrah + 15% Merlot + 19% Carmenére

Na primeira garrafa que abri (harmonizado com espetos de costela de boi), pude notar que o PRIMUS 2008 é mais dócil que o antecessor 2007. Creio que tal fato está ligado não só a safra 2008 propriamente dita (pois muitos vinhos chilenos da safra 2007 têm demonstrado mais estrutura), mas especialmente me razão da diminuição da Cabernet Sauvignon (caindo de 65% para 46%), com aumento da Merlot (de 8% para 15%) e da Carmenére (de 7% para 19%). Como se pode notar, a Cabernet Sauvignon representava mais da metade do corte em 2007, o que não ocorreu em 2008 (em que a Carmenére e a Merlot aumentaram bem suas participações no vinho).

O PRIMUS 2008 – apesar de manter a mesma base do corte da safra 2007 (que redundam em igual graduação alcoólica – 14,5º) – como já está bem redondo (pronto para consumo imediato) pode não ter a mesma vocação de guarda do vinho da safra antecessora (que aparenta ter muito caminho evolutivo e está ainda com alguma dureza na boca e discrição no nariz). Faço a observação em caráter preliminar, pois pretendo abrir mais garrafas do vinho em ambas as safras (até porque o preço permite). De toda sorte, ao menos a primeira garrafa deixou as impressões acima, valendo ainda registrar que o PRIMUS 2008 também estava menos discreto no raiz que o da safra 2007, com cor, nos olhos, bem cativante (apesar de densa). Como registro bem positivo, apesar dos 14 meses de estágio em barricas, não senti– em momento algum – excesso de madeira (comum em vinhos chilenos de safras novas) e que há bom retrogosto, sendo o vinho razoavelmente longo e com notas de alcaçuz (fugindo do paladar unitário de fruta madura).

Em resumo, ao menos na primeira experiência, mantendo a base do antecessor o PRIMUS 2008 (embora mais jovem) se demonstrou mais pronto para o consumo imediato do que todas as garrafas de PRIMUS 2007 que já experimentei, o que de certa maneira corrobora a aferição de que o vinho da safra 2007 ainda não está no melhor momento para o consumo (feita no nosso post sobre o PRIMUS 2007).

Importante: após abrir a garrafa do PRIMUS 2008, deixei o vinho repousar tranquilamente no decanter por volta de uma hora e meia e, além disso, a combinação com carne assada na brasa (espetos de churrasquinhos de costela de boi) foi muito feliz, de modo que tais fatos não podem ser descartados como fatores que interferiram nas nossas conclusões.

Mais uma vez faço questão de assinalar o excepcional preço do vinho praticado pelo EXTRAPLUS (em Vitória-ES) [que parece ser próximo a outros locais de venda: ZONA SUL (Rio de Janeiro) e SUPERMAIA (Brasília)], já que o PRIMUS está sendo comercializado no Brasil próximo ao preço praticado nos EUA (por volta de US$ 20,00). Vide links:

http://www.saratogawine.com/Veramonte-Primus-2008-750ml.html

http://www.astorwines.com/SearchResultsSingle.aspx?p=1&search=57064&searchtype=Contains

A minha dica do PRIMUS da Veramonte  não é inédita, pois já consta de alguns dos melhores blogs de vinhos do Brasil, senão vejamos algus exemplos:

Mondo Vinho –  http://mondovinho.blogspot.com/2010/09/bolso-esperto-de-altas-notas.html).

Vinhos de Corte –http://www.vinhosdecorte.com.br/primus-2007/

Sinceramente, no patamar de vinhos da classe do PRIMUS, não me recordo de nenhum chileno vendido no Brasil por volta de US$ 20,00 (vinte dólares). Quem souber de uma nova “bocada”, por favor me avise, pois o próprio PRIMUS foi uma dica do leitor (e já amigo) Cláudio Moura (Brasília-DF). Fica assim, mais uma dica de “bocada da semana” e seguem abaixo outros vinhos que já foram alvo da mesma coluna do nosso blog:

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Coluna um “pouco de humor”: yoga para amantes de vinhos

Caríssimos, uma das colunas do nosso blog é a “um pouco de humor”, que tem recebido material de vários leitores e amigos. Semana passada recebi – do amigo Fabiano Carvalho – um ótimo e engraçado vídeo sobre a Yoga feita pelos amantes do vinho. Como se verá abaixo, é possível conjugar a Yoga com o consumo de vinho (desde que moderado).

Abraços e boas risadas!!!

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