Châteauneuf-du-Pape: em resenha bem apertada

Um grande amigo, recentemente, conheceu o vinho Châteauneuf-du-Pape (devidamente harmonizado com uma bela peça de cordeiro). Ele ficou maravilhado com o vinho que experimentou e me pediu algumas informações sobre o  francês do Vale do Rhône. Aproveitei a solicitação e fiz um pequeno post, bem resumido, sobre o afamado vinho.

  • Informações básicas

O vinho Châteauneuf-du-Pape está vinculado a uma AOC [(Appellation d’origine contròlée) ou seja, é um vinho de designação de origem controlada] situada no sudeste da França, sendo a denominação mais cohecida da parte sul do Vale do Rhône. As vinhas localizam-se em torno de Châteauneuf-du-Pape e das localidades vizinhas  e cobrem pouco mais de 3.200 hectares.

O nome está ligado à igreja católica, pois no século XIV o papado teve a sua residência de verão no local onde produzido o vinho, apreciando-o, com destaque especial a relação de João XXII com o vinho em questão. Resumidamente, Châteauneuf-du-Pape é o nome de um castelo construído pelo papa João XXII, sucessor de Clemente V  (é uma história longa e interessante, que vale um post próprio).

A legislação que envolve o vinho Châteauneuf-du-Pape permite uma mescla com muitas variedades de uvas (tintas e brancas). Apesar da permissão de tantas, uvas, o espaço para as brancas tem diminuído e ordinariamente o blend do vinho Châteauneuf-du-Pape é comandado pela grenache (a irmã da granacha da Espanha), sendo coadjuva quase sempre pela mourvèdre ou pela syrah.

O sistema AOC tem raízes em 1935 e a permissão do uso de tantas uvas no blend (13 no total – veja tabela abaixo) se dá pela variedade de terroir da região (solos de areia, a cascalho, barro vermelho e depósitos aluviais). A situação permite uma grande variação nos vinhos da AOC. Contudo, há uma característica que tornam os vinhedos de Châteauneuf-du-Pape impares: os seixos (pedras) que são encontradas na maioria dos lugares e que de noite soltam o calor absorvido de dia, com a luz e o sol.

  • Robert Parker e o Châteauneuf-du-Pape

 Vale lembrar que o vinho Châteauneuf-du-Pape passou por processo de “renascimento”, pois durante um período a maioria dos vinhos produzidos eram considerados “medíocres” (ao menos no gosto internacional). O ressurgimento, com a melhora de qualidade de boa parte dos vinhos, é atribuído por muitos a Robert Parker (o famoso crítico americano) que passou a fazer provas dos vinhos (e talvez o afinando para seu gosto). Verdade é que a postura de Parker acabou por divulgar o vinho antigamente muito famoso, mas que estava numa fase de ostracismo no mercado mundial. Há quem diga (e com fundamento) que a influência de Robert Parker criou um estilo de Châteauneuf-du-Pape mais potente e alcoólico ao que originariamente se produzia.

 

  • Pequena tabela (resumitiva) que pode ser útil

Segue abaixo uma tabela com os contornos do vinho e as harmonizações mais comuns

 Nome Châteauneuf du Pape
Localização Próximo da cidade de Avignon
 Lugares  Châteauneuf du Pape, Orange, Sorgues, Courthézon
 Solo Boa variação, mas maioria com pedras de quartzo e algum barro vermelho. Seixos fazem a diferença com a retenção de calor.
 Tamanho 3.100  ha (7.600 acres)
Produção  13,5 milhões de garrafas
(praticamente tudo tinto, apenas 1% de vinho branco)
Uvas 13 variedades de uvas permitidas:
 Grenache, Syrah, Mourvèdre, Cinsault, Muscardin, Cournoise, Clairette, Bourboulenc, Picpoul, Roussanne, Terret Noir, Picardan, Vaccarese
Corpo A maioria dos tintos são vinhos com peso (especialmente os com o “novo perfil” do vinho – pós Parker). Os brancos não costumam ter bom corpo, mas os com presença maior da Roussanne costumam ser mais cheios e aromáticos. 
Guarda aproximada: Tintos 05 a 20 anos (dependendo da safra, do vinho e do produtor). Brancos: consumo imediato e, os de guarda, de 02 a 05 anos.
Boas safras 2005, 2004, 2003, 2000, 1998, 1995, 1990, 1989, 1988. Se encontrar uma garrafa de bom produtor da safra 2005 só deixe de comprar se o preço estiver salgado.
Aromas e boca  Baunilha
Frutas vermelhas (alguns com cereja marcante)
Canela
Alimentos Carne assada, Caça, Pata de  Cordeiro
Coq au vin
Queijo: Combina bem com Roquefort e Langres (entre outros)

 

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16 Comentários

Arquivado em Dicas de Vinhos

16 Respostas para “Châteauneuf-du-Pape: em resenha bem apertada

  1. Gustavo Bumachar

    E viva o universo do vinho! Show a matéria , abraco

  2. Bravo Mazzei! mais um post referência para os que buscam informação de qualidade. Participei no ano passado de uma bela degustação, onde tive a oportunidade de degustar jóias do Rônhe…http://www.vivendoavida.net/?p=8767. Foi uma experiencia inesquecível!!!

    Abs e saúde

    • Silvestre, espetaculares as combinações que vc´s fizeram no VERO (para mim um dos melhores restaurantes de Vitória e que volta aos bons tempos do Marinho Bellia). Estou com agua na boca. O Hermitage quase me matou de inveja…… rsrsrsr. Vamos marcar um dia destes mais uma degustação de vinhos do Rhône (não precisa ser tão top quanto à que vc fez… ). Estou com uns vinhos novos que nunca bebi e que gostaria de experimentar. Obrigado pelo incentivo. Abraços, Mazzei

  3. Rodrigo Ribeiro

    Mazzei, acho seus posts muito bons. Este foi mais um acima da media do que a gente ve nos blogs por ai, pois tem gente que nao traz informacao, mas so a exibicao de vinhos que foram bebidos, no estilo CARAS. Continue com sua linha, Abs. Ribeiro

    • Ribeiro, agradeço – mais um vez – seu incentivo. O melhor do blog é fazer amigos e trocar informações. Não nos conhecemos pessoalmente, mas já teconsiderdo um amigo virtual, que sempre visita nosso blog, incentivando novas matérias. Obrigado. Abraços, Mazzei

  4. Mazzei, esta degustação que realizei com 10 amigos, os vinhos foram lá fora em viagem, com um custo bastante diferente do que se encontra por aqui. Para se ter uma ideia o custo total ficou em 250,00 reais por pessoa…já com o jantar.
    Vamos marcar sim, cada um leva a sua garrafa e Vinicius elabora os pratos.

    Abs e saúde

    • Silvestre, não precisa ser com os top´s. Na verdade, estou com alguns vinhos do Rhône que não bebi e a curiosidade está me matando. Os vinhos nem devem estar prontos, mas eu estou com vontade de ver seu potencial, pois alguns eu tenho mais de uma garrafa. Vamos combinar sim, até uma coisa mais informal. Sua idéia está boa: cada um leva uma garrafa. abraços, Mazzei

  5. Luciano

    Mazzei,

    O post ficou muito bom!! Já estou com vontade de beber os últimos Châteauneuf-du-Pape que compramos, mas infelizmente ainda não estão prontos.
    Abraços,

    • Luciano, estou combinando com o Silvestre (veja nos outros comentários) uma rodada de vinhos do Rhône. Pode ser uma opção bebermos uma unidade da nossa compra, até para vv ver o estágio do vinho. abraõs e obrigado pela visita. Mazzei

  6. Eduardo

    Parabéns pelo blog, sempre acompanho e aprendo muito com você. Bom, queria sua ajuda, vou para Paris mês que vem e vou trazer algumas garrafas, dentre elas 2 chateu du pape. Pensei em comprar o Domaine La Roquete, 2008 por 34€ e um Domaine La Janasse tb 2008 por 37€. Vou na loja Lavinia. O que vc acha? São bons? São de guarda ou estão prontos? Obrigado!

  7. Caro Rodrigo,
    A resenha está muito boa! Eu adoro os Chateauneuf (bem, eu adoro todos, desde que sejam bons…). Só para citar, os Chateauneuf da safra de 2007 também estão espetaculares.
    Um grande abraço,
    Flavio

    • Caro Flávio, de fato a safra 2007 tem tido bons resultados (assim como a 2008). Eu já experimentei alguns muito bons, mas das recentes achei os da safra 2005 muito especiais, fora de série mesmo.
      Abraços, Rodrigo

  8. Eduardo

    Nossa, não sabia que tinha nas Americanas! Que diferença de valor! Custa 4 ou 5 x mais aqui do que na Franca. Bom, vou abraçar esses 2008 mesmo, já que pretendo trazer outras garrafas, e se optar pela 2005 com certeza será mais caro.
    Abraço e obrigado!

    • Eduardo, na verdade a Americanas vende os vinhos da Expand (que é ou era a importadora). A safra 2008 é boa, pode ficar tranquilo. Só não vai estar no ponto para beber. Abraços, Rodrigo

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