Arquivo do mês: agosto 2011

Nova coluna no Blog: Tirabusción – retirando a rolha e experimentando vinhos do Velho Mundo

Num fim de semana recente, no meio de um churrasco harmonizado apenas com vinhos italianos, um grande amigo me pediu para que fosse colocado no blog mais vinhos da Itália, especialmente os que eu tivesse experimentado. E, na conversa, o amigo confessou que pessoas como ele acabam sendo apreciadores de vinhos do Novo Mundo (notadamente Chile e Argentina) em razão não só dos preços e da oferta de produtos, mas também pela divulgação, fazendo com que o consumidor tenha mais informação sobre bons vinhos, situação não tão comum nos vinhos do Velho Mundo. E, finalizando, a prosa, ele disse que estava surpreso com a qualidade dos vinhos que estávamos bebendo naquele dia (repito, todos italianos) e que, antes do churrasco, não teria coragem de comprá-los sem que antes tivesse experimentado ou alcançado uma informação prévia segura. Como este espaço não é meu apenas, vou tentar atender ao apelo, criando nova coluna: Tirabusción – retirando a rolha e experimentando vinhos do Velho Mundo.

Embora na Itália a palavra cavatappi seja a mais utilizada para representar o apetrecho aqui chamado de saca-rolhas, homenageando não só a Itália, mas também a França, e com a idéia da coluna abraçar outros vinhos do Velho Mundo, optei por batizar a nova coluna com a palavra Tirabusción, pois esta é italianização” do francês  tire-bouchon, ou seja, saca-rolhas. 

Assim, doravante no blog estaremos apresentando alguns vinhos do Velho Mundo, notadamente os clássicos, os achados e as boas opções na relação custo benefício. Aguardem, pois o primeiro post da coluna será o SASSICAIA, afamado supertoscano e um dos mais prestigiados vinhos italianos de toda a história. Até lá!

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BOCADA DA SEMADA: Santa Sara 2010 (vinho da Quinta da Bacalhoa) por R$ 13,90!!! “Best buy” (boa relação custo benefício) com harmonização e receita de Caldo Verde.

Fiquei sem postar em razão de diversos compromissos profissionais e pessoais, mas vamos iniciar nossa primeira matéria de agosto de 2011, bem “ao gosto” dos leitores: uma bocada! Vinho Santa Sara por R$ 13,90, ótima opção na relação custo benefício.

O vinho Santa Sara é produzido pela tradicional (e internacional) Quinta da Bacalhoa, uma das mais prestigiadas vinícolas lusas (e que possui uma linha imensa, muito boa desde a sua entrada). Para quem não conhece (ou conhece pouco) da vinícola vale uma visita no site (www.bacalhoa.com). Aliás, de forma curiosa, o vinho Santa Sara não estava presente no site da Quinta da Bacalhoa quando consultei, mas, após e-mail, a empresa – de forma cordial e célere –  enviou as fichas técnicas dos vinhos (tinto e branco) para que a matéria ficasse mais completa.

O Santa Sara  tinto  vem sendo produzido pela Quinta da Bacalhoa (na Península de Setúbal) já algum tempo (desde a década de 90). Tem perfil de vinho jovem, sem passagem em madeira, postado na linha de entrada do catálogo da vinícola (é verdadeiramente, e sem disfarces, um vinho de dia a dia). O vinho que experimentei (safra 2010) é composto de três uvas: Castelão (70 %), Aragonez (20%) e Syrah (10%), possuindo 13º de graduação alcoólica. Há também um vinho branco (que não degustei ainda), que na safra 2010, tem a composição de Fernão Pires (40%) e Moscatel (60%), e, igualmente ao tinto, não possui estágio em madeira e sua graduação alcoólica é de 13º. Para maior detalhes, seguem em anexo as duas fichas técnicas cedidas gentilmente pela vinícola para nosso blog.

Santa Sara Tinto 2010

Santa Sara Branco 2010

A análise que fiz foi apenas do Santa Sara tinto e, para sua linha e respectiva faixa de preço, desde logo posso dizer que foi uma ótima surpresa. Confesso que ao verificar que a produção ficava a cargo da Quinta da Bacalhoa fiquei mais tranqüilo em adquirir o vinho para o teste, já que é um vinícola que possui vários rótulos de qualidade (em várias faixas de preço) e que costumam agradar a maior parte dos consumidores [como é o caso dos vinhos Má Partilha (um ótimo Merlot luso) e o Quinta da Bacalhoa (Cabernet Sauvignon elegante e potente) – quem estiver programando uma viagem ao exterior não deixe de comprar tais vinhos no free shop do Brasil – de chegada – confira o nosso post a respeito].

O estilo luso do Santa Sara é franco e é praticamente impossível que seja confundido como exemplar de outro país, fato que demonstra o predicado da tipicidade, pois não decepcionará aquele que busca um vinho português. Este dado é relevante, já que este vinho pode ser conjugado (harmonizado) com diversos pratos portugueses, desde que os últimos não sejam os mais “carregados” da culinária lusa. Antes mesmo de tecer considerações mais agudas sobre o vinho, afirmo – sem medo de errar – que é o Santa Sara tinto é ótimo parceiro de entradas como o bolinho de bacalhau, ou de pratos mais leves como o Bacalhau a Gomes de Sá, Frigideira de Bacalhau (que fiz e combinou como uma luva – vide foto abaixo) ou o Caldo Verde (segue receita adiante). Só vai ficar a dever se o prato for mais denso, com o leitões assados, cabritos, açordas e outras receitas com mais “pesadas”.

Frigideira de bacalhau (no estilo capixaba)

O vinho possui visual agradável na sua parte externa: rótulo e contra-rótulo simples (com informações básicas do vinho, inclusive as castas que o compõem), cápsula (que apesar de plástico) possui o emblema da Bacalhoa e garrafa apresentável. A rolha é de aglomeração de cortiça, seguindo o padrão de vinhos da mesma linha.

O conteúdo da garrafa – considerando o preço do vinho – não decepciona. Cor bem viva, rubra com alguma profundidade, típica de vinhos portugueses compostos com castas autóctones (embora não estejam na totalidade da composição do Santa Sara). Nariz muito discreto (se comparado aos vinhos no Novo Mundo), mas com alguma fruta (ou seja, simples e sem complexidade). Na boca, percebe-se a jovialidade do vinho, as raízes lusas e a intenção de se buscar o paladar de frutas silvestres (bem diferente daquele sabor de fruta muito madura de outros vinhos). O álcool (13º) não atrapalha e dá alguma firmeza no vinho. Com atenção focada e com o vinho um pouco mais gelado,  percebe-se algumas notas (agradáveis) frisantes. O produtor – na ficha técnica fornecida – indica que o este tinto deve ser bebido mais fresco que o habitual, sugerindo algo entre 14º e 16º (informação que também está no contra-rótulo). Enfim, para quem quer beber um vinho simples, tipicamente português, sem gastar muito, o Santa Sara é uma boa pedida, talvez a melhor que experimentei em 2011, pois é difícil encontrar algo semelhante por R$ 13,90.

Comprei a garrafa no Extraplus do Hortomercado (Vitória-ES) na promoção leve 6 garrafas e tenha o preço especial por unidade (R$ 13,90), pois o preço normal  para a compra isolada de uma garrafa é de R$ 19,90 (que também não é desistimulante). A informação que obtive é de que se trata de mais um vinho que é importado diretamente por consórcio de Supermercados de qual fazem parte (além do Extraplus) o Zona Sul (Rio de Janeiro) e o Supermaia (Brasília). O preço parece estar semelhante em tais locais, pelo que foi aferido em rápida pesquisa na internet.

Receita de Caldo Verde (harmonização aprovada)

Uma das garrafas que experimentei foi combinada com Caldo Verde, numa noite um pouco mais fria. O resultado foi ótimo e considerando o baixo custo da receita deste típico prato português, a conjugação do Santa Sara tinto com o Caldo Verde permite uma boa reunião com amigos e familiares para degustar vinho e comida de Portugal sem gastar muito, ou seja, uma “bocada” no linguajar capixaba.

A receita que segue abaixo é da minha avô materna (falecida) que era filha de portugueses e casada com meu avô também português. Fácil de fazer e deliciosa na boca. Vamos lá:

  • Ingredientes:
    8 batatas sem casca cortadas as meio
    1 (ou 2) lingüiça(s) portuguesa(s) cortada(s) em rodela(s) de meio a um centímetro 
    8 folhas de couve-manteiga cortadas em tiras bem finas
    2 litros de água
    Sal a gosto
  • Modo de fazer:
    Em uma panela, junte a batata, a água e lingüiça. Cozinhe até a batata ficar macia. Retire a lingüiça  e a reserve. Tire as batatas e passe-as pelo espremedor e depois pela peneira. Volte a batata amassada  ao caldo do cozimento adicione a lingüiça e a couve. Mexa bem. Sal a gosto.
    Cozinhe até o caldo ferver. Sirva imediatamente. Não esquecer do bom azeite (português é claro). Torradas e pão são admitidos para acompanhar o caldo verde.

 Outras “bocadas” do Blog que vale conferir

No nosso blog a coluna provavelmente mais visitada é a “bocada da semana”, razão pela qual além do Santa Sara tinto aqui degustado, há outras opções que podem ser interessantes de conferir, como por exemplo:

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