Arquivo da categoria: Dicas de Vinhos

Voltando a ativa com novo endereço: www.vinhoseviagens.com.br

Caros amigos, em razão da reta final do meu doutorado (que, infelizmente, não foi em enologia ou tema afim), nosso Blog (Vinhos e Viagens) deixou de ser atualizado. Para a nossa surpresa, mesmo no longo período de inatividade (agosto de 2011 até o fim de fevereiro de 2012), continuamos com uma boa média de visitação diária.

Com o desfecho (positivo) do nosso doutorado, voltamos com a carga total, inclusive com novo endereço, que possui visual mais moderno e melhor organização. Confira:www.vinhoseviagens.com.br (anote e visite o endereço novo, pois o antigo vai sair em breve do ar).

Muitas matérias já estão sendo preparadas. Para começar, até mesmo em homenagem ao período de recesso do Blog, o primeiro texto tratará de alguns dos bons vinhos que degustei durante a jornada de finalização da tese. Afinal, o vinho foi um grande companheiro no período, não só para dar uma “relaxada”, mas também para as reflexões (que extrapolaram em muito o mundo acadêmico da tese). Como a minha tese conta com aproximadamente 560 páginas, há muitos vinhos para comentar…..

Assim, sejam – mais uma vez – muito bem vindos ao nosso Blog que, como frisado, está com novo endereço.

Abraços,

Rodrigo Mazzei

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Nova coluna no Blog: Tirabusción – retirando a rolha e experimentando vinhos do Velho Mundo

Num fim de semana recente, no meio de um churrasco harmonizado apenas com vinhos italianos, um grande amigo me pediu para que fosse colocado no blog mais vinhos da Itália, especialmente os que eu tivesse experimentado. E, na conversa, o amigo confessou que pessoas como ele acabam sendo apreciadores de vinhos do Novo Mundo (notadamente Chile e Argentina) em razão não só dos preços e da oferta de produtos, mas também pela divulgação, fazendo com que o consumidor tenha mais informação sobre bons vinhos, situação não tão comum nos vinhos do Velho Mundo. E, finalizando, a prosa, ele disse que estava surpreso com a qualidade dos vinhos que estávamos bebendo naquele dia (repito, todos italianos) e que, antes do churrasco, não teria coragem de comprá-los sem que antes tivesse experimentado ou alcançado uma informação prévia segura. Como este espaço não é meu apenas, vou tentar atender ao apelo, criando nova coluna: Tirabusción – retirando a rolha e experimentando vinhos do Velho Mundo.

Embora na Itália a palavra cavatappi seja a mais utilizada para representar o apetrecho aqui chamado de saca-rolhas, homenageando não só a Itália, mas também a França, e com a idéia da coluna abraçar outros vinhos do Velho Mundo, optei por batizar a nova coluna com a palavra Tirabusción, pois esta é italianização” do francês  tire-bouchon, ou seja, saca-rolhas. 

Assim, doravante no blog estaremos apresentando alguns vinhos do Velho Mundo, notadamente os clássicos, os achados e as boas opções na relação custo benefício. Aguardem, pois o primeiro post da coluna será o SASSICAIA, afamado supertoscano e um dos mais prestigiados vinhos italianos de toda a história. Até lá!

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BOCADA DA SEMADA: Santa Sara 2010 (vinho da Quinta da Bacalhoa) por R$ 13,90!!! “Best buy” (boa relação custo benefício) com harmonização e receita de Caldo Verde.

Fiquei sem postar em razão de diversos compromissos profissionais e pessoais, mas vamos iniciar nossa primeira matéria de agosto de 2011, bem “ao gosto” dos leitores: uma bocada! Vinho Santa Sara por R$ 13,90, ótima opção na relação custo benefício.

O vinho Santa Sara é produzido pela tradicional (e internacional) Quinta da Bacalhoa, uma das mais prestigiadas vinícolas lusas (e que possui uma linha imensa, muito boa desde a sua entrada). Para quem não conhece (ou conhece pouco) da vinícola vale uma visita no site (www.bacalhoa.com). Aliás, de forma curiosa, o vinho Santa Sara não estava presente no site da Quinta da Bacalhoa quando consultei, mas, após e-mail, a empresa – de forma cordial e célere –  enviou as fichas técnicas dos vinhos (tinto e branco) para que a matéria ficasse mais completa.

O Santa Sara  tinto  vem sendo produzido pela Quinta da Bacalhoa (na Península de Setúbal) já algum tempo (desde a década de 90). Tem perfil de vinho jovem, sem passagem em madeira, postado na linha de entrada do catálogo da vinícola (é verdadeiramente, e sem disfarces, um vinho de dia a dia). O vinho que experimentei (safra 2010) é composto de três uvas: Castelão (70 %), Aragonez (20%) e Syrah (10%), possuindo 13º de graduação alcoólica. Há também um vinho branco (que não degustei ainda), que na safra 2010, tem a composição de Fernão Pires (40%) e Moscatel (60%), e, igualmente ao tinto, não possui estágio em madeira e sua graduação alcoólica é de 13º. Para maior detalhes, seguem em anexo as duas fichas técnicas cedidas gentilmente pela vinícola para nosso blog.

Santa Sara Tinto 2010

Santa Sara Branco 2010

A análise que fiz foi apenas do Santa Sara tinto e, para sua linha e respectiva faixa de preço, desde logo posso dizer que foi uma ótima surpresa. Confesso que ao verificar que a produção ficava a cargo da Quinta da Bacalhoa fiquei mais tranqüilo em adquirir o vinho para o teste, já que é um vinícola que possui vários rótulos de qualidade (em várias faixas de preço) e que costumam agradar a maior parte dos consumidores [como é o caso dos vinhos Má Partilha (um ótimo Merlot luso) e o Quinta da Bacalhoa (Cabernet Sauvignon elegante e potente) – quem estiver programando uma viagem ao exterior não deixe de comprar tais vinhos no free shop do Brasil – de chegada – confira o nosso post a respeito].

O estilo luso do Santa Sara é franco e é praticamente impossível que seja confundido como exemplar de outro país, fato que demonstra o predicado da tipicidade, pois não decepcionará aquele que busca um vinho português. Este dado é relevante, já que este vinho pode ser conjugado (harmonizado) com diversos pratos portugueses, desde que os últimos não sejam os mais “carregados” da culinária lusa. Antes mesmo de tecer considerações mais agudas sobre o vinho, afirmo – sem medo de errar – que é o Santa Sara tinto é ótimo parceiro de entradas como o bolinho de bacalhau, ou de pratos mais leves como o Bacalhau a Gomes de Sá, Frigideira de Bacalhau (que fiz e combinou como uma luva – vide foto abaixo) ou o Caldo Verde (segue receita adiante). Só vai ficar a dever se o prato for mais denso, com o leitões assados, cabritos, açordas e outras receitas com mais “pesadas”.

Frigideira de bacalhau (no estilo capixaba)

O vinho possui visual agradável na sua parte externa: rótulo e contra-rótulo simples (com informações básicas do vinho, inclusive as castas que o compõem), cápsula (que apesar de plástico) possui o emblema da Bacalhoa e garrafa apresentável. A rolha é de aglomeração de cortiça, seguindo o padrão de vinhos da mesma linha.

O conteúdo da garrafa – considerando o preço do vinho – não decepciona. Cor bem viva, rubra com alguma profundidade, típica de vinhos portugueses compostos com castas autóctones (embora não estejam na totalidade da composição do Santa Sara). Nariz muito discreto (se comparado aos vinhos no Novo Mundo), mas com alguma fruta (ou seja, simples e sem complexidade). Na boca, percebe-se a jovialidade do vinho, as raízes lusas e a intenção de se buscar o paladar de frutas silvestres (bem diferente daquele sabor de fruta muito madura de outros vinhos). O álcool (13º) não atrapalha e dá alguma firmeza no vinho. Com atenção focada e com o vinho um pouco mais gelado,  percebe-se algumas notas (agradáveis) frisantes. O produtor – na ficha técnica fornecida – indica que o este tinto deve ser bebido mais fresco que o habitual, sugerindo algo entre 14º e 16º (informação que também está no contra-rótulo). Enfim, para quem quer beber um vinho simples, tipicamente português, sem gastar muito, o Santa Sara é uma boa pedida, talvez a melhor que experimentei em 2011, pois é difícil encontrar algo semelhante por R$ 13,90.

Comprei a garrafa no Extraplus do Hortomercado (Vitória-ES) na promoção leve 6 garrafas e tenha o preço especial por unidade (R$ 13,90), pois o preço normal  para a compra isolada de uma garrafa é de R$ 19,90 (que também não é desistimulante). A informação que obtive é de que se trata de mais um vinho que é importado diretamente por consórcio de Supermercados de qual fazem parte (além do Extraplus) o Zona Sul (Rio de Janeiro) e o Supermaia (Brasília). O preço parece estar semelhante em tais locais, pelo que foi aferido em rápida pesquisa na internet.

Receita de Caldo Verde (harmonização aprovada)

Uma das garrafas que experimentei foi combinada com Caldo Verde, numa noite um pouco mais fria. O resultado foi ótimo e considerando o baixo custo da receita deste típico prato português, a conjugação do Santa Sara tinto com o Caldo Verde permite uma boa reunião com amigos e familiares para degustar vinho e comida de Portugal sem gastar muito, ou seja, uma “bocada” no linguajar capixaba.

A receita que segue abaixo é da minha avô materna (falecida) que era filha de portugueses e casada com meu avô também português. Fácil de fazer e deliciosa na boca. Vamos lá:

  • Ingredientes:
    8 batatas sem casca cortadas as meio
    1 (ou 2) lingüiça(s) portuguesa(s) cortada(s) em rodela(s) de meio a um centímetro 
    8 folhas de couve-manteiga cortadas em tiras bem finas
    2 litros de água
    Sal a gosto
  • Modo de fazer:
    Em uma panela, junte a batata, a água e lingüiça. Cozinhe até a batata ficar macia. Retire a lingüiça  e a reserve. Tire as batatas e passe-as pelo espremedor e depois pela peneira. Volte a batata amassada  ao caldo do cozimento adicione a lingüiça e a couve. Mexa bem. Sal a gosto.
    Cozinhe até o caldo ferver. Sirva imediatamente. Não esquecer do bom azeite (português é claro). Torradas e pão são admitidos para acompanhar o caldo verde.

 Outras “bocadas” do Blog que vale conferir

No nosso blog a coluna provavelmente mais visitada é a “bocada da semana”, razão pela qual além do Santa Sara tinto aqui degustado, há outras opções que podem ser interessantes de conferir, como por exemplo:

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Châteauneuf-du-Pape: em resenha bem apertada

Um grande amigo, recentemente, conheceu o vinho Châteauneuf-du-Pape (devidamente harmonizado com uma bela peça de cordeiro). Ele ficou maravilhado com o vinho que experimentou e me pediu algumas informações sobre o  francês do Vale do Rhône. Aproveitei a solicitação e fiz um pequeno post, bem resumido, sobre o afamado vinho.

  • Informações básicas

O vinho Châteauneuf-du-Pape está vinculado a uma AOC [(Appellation d’origine contròlée) ou seja, é um vinho de designação de origem controlada] situada no sudeste da França, sendo a denominação mais cohecida da parte sul do Vale do Rhône. As vinhas localizam-se em torno de Châteauneuf-du-Pape e das localidades vizinhas  e cobrem pouco mais de 3.200 hectares.

O nome está ligado à igreja católica, pois no século XIV o papado teve a sua residência de verão no local onde produzido o vinho, apreciando-o, com destaque especial a relação de João XXII com o vinho em questão. Resumidamente, Châteauneuf-du-Pape é o nome de um castelo construído pelo papa João XXII, sucessor de Clemente V  (é uma história longa e interessante, que vale um post próprio).

A legislação que envolve o vinho Châteauneuf-du-Pape permite uma mescla com muitas variedades de uvas (tintas e brancas). Apesar da permissão de tantas, uvas, o espaço para as brancas tem diminuído e ordinariamente o blend do vinho Châteauneuf-du-Pape é comandado pela grenache (a irmã da granacha da Espanha), sendo coadjuva quase sempre pela mourvèdre ou pela syrah.

O sistema AOC tem raízes em 1935 e a permissão do uso de tantas uvas no blend (13 no total – veja tabela abaixo) se dá pela variedade de terroir da região (solos de areia, a cascalho, barro vermelho e depósitos aluviais). A situação permite uma grande variação nos vinhos da AOC. Contudo, há uma característica que tornam os vinhedos de Châteauneuf-du-Pape impares: os seixos (pedras) que são encontradas na maioria dos lugares e que de noite soltam o calor absorvido de dia, com a luz e o sol.

  • Robert Parker e o Châteauneuf-du-Pape

 Vale lembrar que o vinho Châteauneuf-du-Pape passou por processo de “renascimento”, pois durante um período a maioria dos vinhos produzidos eram considerados “medíocres” (ao menos no gosto internacional). O ressurgimento, com a melhora de qualidade de boa parte dos vinhos, é atribuído por muitos a Robert Parker (o famoso crítico americano) que passou a fazer provas dos vinhos (e talvez o afinando para seu gosto). Verdade é que a postura de Parker acabou por divulgar o vinho antigamente muito famoso, mas que estava numa fase de ostracismo no mercado mundial. Há quem diga (e com fundamento) que a influência de Robert Parker criou um estilo de Châteauneuf-du-Pape mais potente e alcoólico ao que originariamente se produzia.

 

  • Pequena tabela (resumitiva) que pode ser útil

Segue abaixo uma tabela com os contornos do vinho e as harmonizações mais comuns

 Nome Châteauneuf du Pape
Localização Próximo da cidade de Avignon
 Lugares  Châteauneuf du Pape, Orange, Sorgues, Courthézon
 Solo Boa variação, mas maioria com pedras de quartzo e algum barro vermelho. Seixos fazem a diferença com a retenção de calor.
 Tamanho 3.100  ha (7.600 acres)
Produção  13,5 milhões de garrafas
(praticamente tudo tinto, apenas 1% de vinho branco)
Uvas 13 variedades de uvas permitidas:
 Grenache, Syrah, Mourvèdre, Cinsault, Muscardin, Cournoise, Clairette, Bourboulenc, Picpoul, Roussanne, Terret Noir, Picardan, Vaccarese
Corpo A maioria dos tintos são vinhos com peso (especialmente os com o “novo perfil” do vinho – pós Parker). Os brancos não costumam ter bom corpo, mas os com presença maior da Roussanne costumam ser mais cheios e aromáticos. 
Guarda aproximada: Tintos 05 a 20 anos (dependendo da safra, do vinho e do produtor). Brancos: consumo imediato e, os de guarda, de 02 a 05 anos.
Boas safras 2005, 2004, 2003, 2000, 1998, 1995, 1990, 1989, 1988. Se encontrar uma garrafa de bom produtor da safra 2005 só deixe de comprar se o preço estiver salgado.
Aromas e boca  Baunilha
Frutas vermelhas (alguns com cereja marcante)
Canela
Alimentos Carne assada, Caça, Pata de  Cordeiro
Coq au vin
Queijo: Combina bem com Roquefort e Langres (entre outros)

 

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Panela de barro de Goiabeiras (Vitória-ES): agora com Indicação Geográfica deferida (fuja das imitações!)

Comer uma boa moqueca capixaba é um prazer indescritível. Ainda mais se harmonizada com um bom vinho…. casa perfeito com Sauvignon Blanc, pode ir sem medo. Agora, moqueca capixaba só é moqueca capixaba se feita na panela de barro original, que só são feitas num lugar: Goiabeiras (Vitória-ES).  As panelas de Goiabeiras são produzidas artesanalmente com a argila retirada do barreiro do Vale do Mulembá, na ilha de Vitória. O tanino, usado para a impermeabilização das peças, é obtido da casca do mangue vermelho. Tanto a extração da argila como a retirada do tanino são feitos de forma sustentável, garantindo a conformidade com a legislação ambiental. As panelas são produzidas artesanalmente e vendidas, em sua maior parte, por encomenda.

Pois bem, recebi agora e-mail de Kelly Lissandra Bruch informando que o INPI deferiu a Indicação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência, para a panela de barro de Goiabeiras. O deferimento foi publicado na RPI do dia 26 de julho de 2011. A partir desta data, a Associação das Paneleiras de Goiabeiras (APG) terá um prazo de 60 dias para efetuar o pagamento da taxa prevista para expedir o certificado de registro. Com o registro das panelas de Goiabeiras, sobe para onze o número de produtos brasileiros com procedência certificada através da Indicação Geográfica. A certificação protege os produtos de eventuais falsificações, garantindo sua procedência e aumentando sua competitividade.

A Indicação de Procedência para o artesanato brasileiro vem crescendo: a primeira foi deferida para o artesanato do capim dourado do Jalapão, no início deste mês, e a segunda, agora, para as panelas de barro. Segundo o técnico de IG que examinou este último pedido, o período de análise durou cerca de um ano apenas, pois o processo não sofreu nenhuma exigência. (fonte: www.inpi.gov.br e Kelly Lissandra Bruch).

Então, vamos cortar cebola, tomate e coentro, separar o urucum e preparar uma super moqueca com Indicação Geográfica, ou seja, com panela de barro de Goiabeiras. Ah, e para acompanhar, abre um Sauvignon Blanc…. (O Veramonte Reserva Sauvignon Blanc – alvo de post anterior -vai muito bem, já testei). Só de pensar, já estou com agua na boca.

Só para fechar: se já existia a máxima de que “moqueca: só capixaba, o resto é peixada”, agora há uma nova: “panela de barro: só a capixaba (e de Goiabeiras), o resto é tijela”. rsrsr

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Coluna um pouco de humor: O controvertido selo fiscal sobre a ótica do humor (charges, afinal rir é sempre bom!!)

 Sinceramente não tenho uma opinião fechada sobre a questão do selo fiscal e confesso que a cada dia fico mais tendente a me posicionar de forma contrária. Eu li, faz alguns dias, excelente matéria na revista ADEGA, nº 68, que afirma que o custo do selo é muito acima do valor unitário de 0,04 centavos de real por garrafa. Isso porque o uso do selo fiscal implicará, entre outras coisas, em medidas diversas de natureza burocrática, gerará despesas de manuseio, poderá afetar a necessária cadência célere no desembaraço aduaneiro e sujeitará os importadores a disponibilidade dos selos (já havendo notícia que a Casa da Moeda e a Receita Federal em alguns locais não estão conseguindo atender os importadores a contento). Quem tiver a revista, vale conferir e ver os bons argumentos contrários ao selo fiscal.

 Como se vê, o assunto é sério e merece reflexão. Contudo, isso não significa que devemos perder o humor, pois nessas horas uma boa risada ajuda a relaxar e até pensar melhor sobre o assunto. Por tal passo, com a ajuda do amigo Gilson Pimentel, seguem duas charges com personagem já famoso no mundo do vinho – GORDO da RAVIN – enfrentando o espinhoso tema. Vale conferir, pois afinal rir ó faz bem.

 Só para fechar (e para a alegria do GORDO): a exigência do selo foi alvo de ação judicial [mandado de segurança n° 0057324-16.2010.4.01.3400 impetrado pela ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS EXPORTADORES E IMPORTADORES DE ALIMENTOS E BEBIDAS (ABBA)], já tendo sido proferida sentença que afasta a exigência do selo fiscal pelo MM Juiz Federal HAMILTON DE SÁ DANTAS (21ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal (Tribunal Regional Federal da Primeira Região), vide anexo: 20110720_503572340024521-07-2011 – Sentença. Será que o GORDO tem razão ?

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Degustação às cegas: Brunellos di Montalcino safra 2002 versus Rossos di Montalcino safras 2005 e 2007, qual o resultado do embate? Será que a máxima “mais vale mais um Rosso di Montalcino bom do que um Brunello ruim” triunfou? Leia e se surpreenda.

Em matéria anterior, afirmei que “mais vale mais um Rosso di Montalcino bom do que um Brunello ruim. Tal máxima [que – na verdade – não é uma fala originalmente minha (ouvi a frase na Itália)] causou repercussão no blog e houve quem duvidasse que algum Rosso di Montalcino se saísse melhor numa degustação do que um Brunello, mesmo que o último fosse de uma qualidade inferior (“um Brunello ruim”).

Dois Rossos e dois Brunellos di Montalcino: os vinhos degustados no confronto

Assim, surgiu a idéia de concretizar (em degustação às cegas) o desafio. Para tanto, com a idéia de conseguir Brunellos di Montalcino com qualidade abaixo da média normal, ficou acertado que somente poderiam participar vinhos da safra 2002, que é notadamente uma safra medíocre (a pior até agora do século XXI) e que, como narrado na matéria anterior, fez com que alguns produtores até abrissem mão de produzir Brunellos de tal colheita (vide o post). Quanto às Rossos di Montalcino, ficou acertado que estes poderiam ter safras de escolha livre, ficando apenas vedado que não seria possível trazer os tops da categoria, ou seja, a escolha de produtor e safra era permitida, tão somente se evitando trazer edições especiais de Rossos para se evitar desigualdade no embate. Seguindo esta bússola, os quatro vinhos degustados (dois Rossos e dois Brunellos) foram os seguintes:

  • Rosso di Montalcino Donatella Cinelli Colombini – safra 2005 (preço praticado no Brasil na faixa de R$ 85-110,00). Vide link do vinho.
  • Rosso di Montalcino Collosorbo – safra 2007 (preço praticado no Brasil na faixa de R$ 95-130,00). Vide link do vinho.
  • Brunello di Montalcino Etruria – safra 2002 (vinho não vendido no Brasil, com preço na faixa de Eu$ 50,00 – cinquenta euros na Itália). Vide link do vinho.
  • Brunello di Montalcino Camigliano – safra 2002 (preço praticado no Brasil na faixa de R$ 160,00 -200,00).  Vide link do vinho.
Contra-rótulo dos vinhos degustados

Registre-se que a degustação foi feita com quatro participantes (Eu, Luciano Robert, Gustavo Mangueira e Max Roland) e com a seguinte metodologia:

(a) todos os vinhos foram postos no decanter para oxigenação no mesmo tempo;

(b) os decanters foram etiquetados com símbolos que correspondiam às garrafas (adesivadas por baixo com o mesmo símbolo). A etiquetagem foi feita por pessoa que não participou da degustação, em separado, e longe da presença dos degustadores;

(c) a ordem de degustação foi sequencial (decidida na hora pelos degustadores), de modo que cada vinho foi apreciado no mesmo momento por todos, cada um em taça separada;

(d) foi permitido, ao final da série (degustação dos quatro vinhos) o retorno a qualquer dos vinhos degustados, complementando-se as taças;

(e) os dados técnicos de cada vinho ficaram disponíveis para cada degustador (sem, contudo, o manuseio das garrafas ou acesso às rolhas);

(f) a ficha de avaliação determinava que o desgustador indicasse se o vinho degustado era um Brunello ou um Rosso  para, após, cravar para cada vinho nota de 2 a5 (cinco para o melhor vinho, decrescendo até dois para o pior – sem possibilidade de notas iguais);

(g) além da entrega das fichas, as notas e considerações sobre cada vinho foram feitas de forma oral por cada degustador;

(h) com as notas e considerações, ao final, foram tirados os adesivos das garrafas obtendo-se o resultado final.

Vinhos no decanter (sem identificação das garrafas por vinhos).

Pois bem, pergunto aos amigos: qual foi o resultado final? Eu respondo: uma vitória triunfante dos Rossos di Montalcino sobre os Brunellos. E mais: dos quatro vinhos degustados, um Brunello (Etruria) e um Rosso (Donatella Cinelli Colombini) foram identificados de forma unânime, ou seja, a tipicidade ficou evidente e não confundiu nenhum dos participantes. Contudo, um Brunello (Camigliano) e um Rosso (Collossorbo) não foram identificados por dois dos degustadores com tais, ocorrendo a inversão de identificação (sinal de que é possível que um bom Rosso di Montalcino pode se passar por um Brunello, se a atenção não estiver redobrada e se o nível do Rosso for muito bom). Para finalizar, na soma das notas (valendo aqui a qualidade do vinho e não sua identificação) os Rossos tiveram avaliações surpreendentemente acima dos Brunellos, confira-se as notas finais:

  • Rosso di Montalcino Donatella Cinelli Colombini (2005): 18 pontos
  • Rosso di Montalcino Collosorbo (2007): 16 pontos
  • Brunello di Montalcino Etruria (2002): 11 pontos
  • Brunello di Montalcino Camigliano (2002): 12 pontos

Não tenho dúvidas que o ruim desempenho dos Brunellos está ligado a péssima safra de 2002 e a escolha dos Rossos di Montalcino de safras boas e mais quentes, fazendo com que estes se apresentassem bem e numa escala evolutiva interessante. Por isso, não parece ter sido por acaso o sucesso do Rosso di Montalcino da safra 2005.

Assim, a máxima (“mais vale mais um Rosso di Montalcino bom do que um Brunello ruim”) se demonstrou verdadeira no resultado do embate, ficando a impressão de que os Brunellos da safra 2002, de fato, não são superiores aos bons Rossos di Montalcino de safras mais felizes, notadamente se produzidos por bons produtores (como foi o caso dos vinhos examinados).

No entanto, o resultado (de certa forma surpreendente pelos números finais – dada a distância dos Rossos para os Brunellos) acabou por gerar a novo desafio: Será possível o mesmo confronto se a safra for livre para os Brunellos? Haverá espaço para os Rossos di Montalcino disputarem se a safra for liberada para todos os vinhos? Em outras palavras, será que diminuindo a vantagem dos Rossos [obrigatoriedade da safra 2002 (ou seja, uma bem ruim) para os Brunellos], os Rossos di Montalcino terão o mesmo desempenho vencedor? Daqui duas semana faremos o novo desafio e o resultado será publicado no blog. Confesso que fiquei curioso (e emplogado) com a revanche proposta pelo degustador Max Roland (imediatamente aceita por todos os demais participantes).

E para finalizar, faço uma indagação: olhando a foto abaixo, você consegue dizer com segurança se o vinho que está na taça (participante do desafio) é um Brunello ou um Rosso di Montalcino? Pense bem, pois há chance de você errar….

Brunello ou Rosso?

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