Você conhece o “pen rolha” ou o “rolha drive”? Solução com criatividade para os enófilos não perderem dados importantes.

Não faz muito tempo, estive numa apresentação de vinhos franceses da importadora DACONFRARIA (www.daconfraria.com.br). Na ocasião, após a apresentação dos vinhos pelo conhecido especialista Carlos Cabral, de forma gentil os convidados foram presenteados como um “pen rolha” ou um “rolha drive” gravado o nome da importadora, cujo conteúdo era o catálogo completo dos seus vinhos.

Sem dúvida, além da cortesia, a importadora se valeu de uma excelente “jogada de marketing” interessante, pois os convidados dificilmente dispensaram a lembrança que contém dados importantíssimos dos vinhos por ela importados (um catálogo bem completo, com fichas técnicas e boas fotos), com a vantagem do fácil transporte e guarda pelo por aquele que foi presenteado.

Alguns vinhos da DACONFRARIA me chamaram a atenção e serão objeto de post futuro (um deles inclusive com harmonização pelo Chef Bilu), mas a idéia do “pen rolha” com o catálogo merece registro elogioso e pode ser bom exemplo para outras importadoras. O amigo Silvestre do Blog Vivendo a Vida (www.vivendoavida.net)  – também presente na exposição – fez boa pesquisa e verificou que o nome correto não é “pen rolha” (muito menos “rolha drive”). Na realidade, trata-se de produto cujo nome correto é “Wine Stopper USB Memory Stick”, desenvolvido por Arwye Wan. Vale conferir a boa matéria do Silvestre. 

 Acessando a internet, vi que não é difícil localizar o produto, ficando para os amigos alguns links para quem quiser comprá-lo ou pelo menos conferir mais de perto (há uma boa variação de preço, de acordo com a capacidade da mídia). Confira:

http://www.kinkyland.com.br/details/PENDRVROLH/pen-drive-rolha-4gb

http://www.navitrinebrasil.com.br/produtos.asp?produto=50

http://www.coisasgeniais.com.br/Produto—Geek-Pen-Drive-Rolha-de-Vinho-2GB-versao-8-8.aspx

Para finalizar, confesso que sou meio preconceituoso com as tampas de roscas e a importadora DACONFRARIA me deu mais um motivo para continuar reclamando pelas rolhas de cortiça: a possibilidade de guardar dados. rsrsrsr

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BOCADA DA SEMANA: Primus 2008 (vinho top da VERAMONTE) – Nova safra (com nova composição no blend) que mantém o preço promocional (R$ 29,90).

Semana última tive uma ótima notícia: chegou a safra 2008 do PRIMUS, vinho top da chilena Veramonte, que já foi alvo de comentário em dois posts anteriores (linha completa da vinícola e análise do PRIMUS 2007). A boa surpresa veio acompanhada da constatação de que o vinho (um verdadeiro best buy) continua no mesmo preço promocional (R$ 29,90) para quem adquire seis garrafas (promoção do EXTRAPLUS, Vitória-ES). Ou seja, o preço  promocional mantém o vinho como uma das melhores opções na relação custo benefício de tintos chilenos de bom gabarito [pude notar no EXTRAPLUS, que ainda há uma boa quantidade de garrafas da safra 2007, de modo que o interessado pode adquirir seu pack (conjunto de seis) conjugando as duas safras].

PRIMUS : comparativo dos rótulos das safras 2007 (direita) e 2008 (esquerda)

Visualmente, como se vê acima, há uma mudança sutil no rótulo, pois agora (safra 2008) não consta mais o nome das uvas que compõem o corte do PRIMUS, mas apenas a expressão “THE BLEND” (inexistente na safra 2007). Tal fato é interessante, pois como já aferimos na matéria anterior sobre o PRIMUS, a Veramonte lança o vinho a cada ano com corte diferente, observando – segundo divulgado pela bodega – as melhores uvas colhidas. Assim, ao longo das safras, o PRIMUS possui composições diferentes. No ano de 2008 o PRIMUS foi formado pela conjunção das mesmas uvas do ano 2007, contudo com percentuais diferenciados, a saber:

PRIMUS 2007:  65% Cabernet Sauvignon + 20% Syrah + 8% Merlot + 7% Carmenére
PRIMUS 2008:  46% Cabernet Sauvignon + 20% Syrah + 15% Merlot + 19% Carmenére

Na primeira garrafa que abri (harmonizado com espetos de costela de boi), pude notar que o PRIMUS 2008 é mais dócil que o antecessor 2007. Creio que tal fato está ligado não só a safra 2008 propriamente dita (pois muitos vinhos chilenos da safra 2007 têm demonstrado mais estrutura), mas especialmente me razão da diminuição da Cabernet Sauvignon (caindo de 65% para 46%), com aumento da Merlot (de 8% para 15%) e da Carmenére (de 7% para 19%). Como se pode notar, a Cabernet Sauvignon representava mais da metade do corte em 2007, o que não ocorreu em 2008 (em que a Carmenére e a Merlot aumentaram bem suas participações no vinho).

O PRIMUS 2008 – apesar de manter a mesma base do corte da safra 2007 (que redundam em igual graduação alcoólica – 14,5º) – como já está bem redondo (pronto para consumo imediato) pode não ter a mesma vocação de guarda do vinho da safra antecessora (que aparenta ter muito caminho evolutivo e está ainda com alguma dureza na boca e discrição no nariz). Faço a observação em caráter preliminar, pois pretendo abrir mais garrafas do vinho em ambas as safras (até porque o preço permite). De toda sorte, ao menos a primeira garrafa deixou as impressões acima, valendo ainda registrar que o PRIMUS 2008 também estava menos discreto no raiz que o da safra 2007, com cor, nos olhos, bem cativante (apesar de densa). Como registro bem positivo, apesar dos 14 meses de estágio em barricas, não senti– em momento algum – excesso de madeira (comum em vinhos chilenos de safras novas) e que há bom retrogosto, sendo o vinho razoavelmente longo e com notas de alcaçuz (fugindo do paladar unitário de fruta madura).

Em resumo, ao menos na primeira experiência, mantendo a base do antecessor o PRIMUS 2008 (embora mais jovem) se demonstrou mais pronto para o consumo imediato do que todas as garrafas de PRIMUS 2007 que já experimentei, o que de certa maneira corrobora a aferição de que o vinho da safra 2007 ainda não está no melhor momento para o consumo (feita no nosso post sobre o PRIMUS 2007).

Importante: após abrir a garrafa do PRIMUS 2008, deixei o vinho repousar tranquilamente no decanter por volta de uma hora e meia e, além disso, a combinação com carne assada na brasa (espetos de churrasquinhos de costela de boi) foi muito feliz, de modo que tais fatos não podem ser descartados como fatores que interferiram nas nossas conclusões.

Mais uma vez faço questão de assinalar o excepcional preço do vinho praticado pelo EXTRAPLUS (em Vitória-ES) [que parece ser próximo a outros locais de venda: ZONA SUL (Rio de Janeiro) e SUPERMAIA (Brasília)], já que o PRIMUS está sendo comercializado no Brasil próximo ao preço praticado nos EUA (por volta de US$ 20,00). Vide links:

http://www.saratogawine.com/Veramonte-Primus-2008-750ml.html

http://www.astorwines.com/SearchResultsSingle.aspx?p=1&search=57064&searchtype=Contains

A minha dica do PRIMUS da Veramonte  não é inédita, pois já consta de alguns dos melhores blogs de vinhos do Brasil, senão vejamos algus exemplos:

Mondo Vinho –  http://mondovinho.blogspot.com/2010/09/bolso-esperto-de-altas-notas.html).

Vinhos de Corte –http://www.vinhosdecorte.com.br/primus-2007/

Sinceramente, no patamar de vinhos da classe do PRIMUS, não me recordo de nenhum chileno vendido no Brasil por volta de US$ 20,00 (vinte dólares). Quem souber de uma nova “bocada”, por favor me avise, pois o próprio PRIMUS foi uma dica do leitor (e já amigo) Cláudio Moura (Brasília-DF). Fica assim, mais uma dica de “bocada da semana” e seguem abaixo outros vinhos que já foram alvo da mesma coluna do nosso blog:

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Coluna um “pouco de humor”: yoga para amantes de vinhos

Caríssimos, uma das colunas do nosso blog é a “um pouco de humor”, que tem recebido material de vários leitores e amigos. Semana passada recebi – do amigo Fabiano Carvalho – um ótimo e engraçado vídeo sobre a Yoga feita pelos amantes do vinho. Como se verá abaixo, é possível conjugar a Yoga com o consumo de vinho (desde que moderado).

Abraços e boas risadas!!!

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Antepasto: pão italiano quente (torrada) com pasta de alho e parmesão (com sugestão de harmonização CALIZA 2006 – Marques de Griñon)

Fim de semana passado estive na casa do Chef Bilu. Na espera dos demais convidados, sua cunhada fez – com extrema rapidez – um antepasto simples e muito delicioso: pão italiano quente (torrada) com pasta de alho e parmesão. O processo todo (do primeiro passo até a torrada estar na boca) não demorou mais que 15 minutos e caiu com uma luva para a ocasião, até porque o dia estava meio frio (perfeito para uma torrada com pasta quente).

Pedi a Márcia (cunhada do Chef Bilu) a receita do antepasto, pois a simplicidade da torrada me surpreendeu. Atendido o pedido, para os amigos do blog, segue a receita:

Receita do antepasto: torrada de pão italiano com alho e parmesão

Ingredientes:

  • Alho
  • Azeite
  • Queijo parmesão
  • Pão italiano
  • Manteiga

 Primeiro passo (Preparo da pasta de alho):

  • Descascar alguns dentes de alho e juntar com um pouco de azeite.
  • Não acrescentar sal.
  • Bater no liquidificador até formar a pasta.
  • Obs.: Se achar que a pasta de alho ficou muito forte ou densa, puxando demais para o alho, coloque uma cebola e um pouco mais de azeite e bata novamente (em hipótese alguma coloque sal).

 Segundo passo (Preparo do Pão)

  • Misturar a pasta com um pouco de Manteiga (agora sim, com sal), até ficar cremoso.
  • Depois, espalhe e passe sobre o pão italiano (fatiado, mais ou menos, com  largura de um centímetro)
  • Logo após, polvilhe com queijo parmesão (se possível ralado na hora).
  • Levar ao forno por alguns minutos até corar (o tempo vai variar de acordo com o seu forno – pode ser elétrico – mas deve ser algo por volta de cinco minutos em potência ou calor alto).
  • Servir assim que retirar do forno, ainda quente.
  • Obs.: Se quiser, pode colocar poucas folhas de manjericão (sem excessos) em cima da torrada.

 Harmonização

O alho costuma ser um problema nas harmonizações, mas neste caso o queijo parmesão de boa qualidade (ralado na hora) conseguiu neutralizar os efeitos do alho que não competiram com o vinho (ao contrário, o alho e o parmesão se completaram muito bem).

 A harmonização que fizemos (por acaso e que se demonstrou perfeita) foi com o vinho espanhol CALIZA, um corte de Syrah com Petit Verdot, safra 2006, com potentes 15º de graduação alcoólica (arredondados após 10 meses de barrica). Trata-se de exemplar proveniente da região Domínio de Valdepusa (Marques de Griñon). No Brasil é importado pela Winebrands e é vendido na faixa de R$ 89,00 (vale cada centavo). Vide link do importador: http://www.lojawinebrands.com.br/detalhe.asp?id=230.

 A conjugação do antepasto com o vinho acima ocorreu por acaso, mas pude observar que o CALIZA (vinho mais simples do produtor – Marques de Griñon) é um vinho que vai bem com “tapas”, ou seja, os aperitivos e antepastos de potência servidos na Espanha, justificando o bom casamento que ocorreu.  Assim, registramos não só a boa receita, mas o também bom vinho que acompanhou, pois é um espanhol que vale conferir (até mesmo diante da sua vocação para combinar com pratos fortes, antepastos ou não).

Confira as receitas do Chef Bilu com harmonizações no blog:

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Críticos de vinho: Hugh Johnson ou Robert Parker, qual o seu estilo?

Recentemente, estive com Silvestre (do ótimo blog Vivendo a Vida) para a apresentação de alguns vinhos franceses (vide o post dele sobre o evento). Logo após, saímos para jogar conversa fora, regada a algumas taças. No papo (muito bom), surgiu um tema interessante que discutimos lá e agora trago para cá: críticos de vinho.

 A questão é interessante por diversos aspectos, notadamente a influência que tais especialistas exercem no mercado, bem assim a postura que os consumidores têm – às vezes curiosa – sobre os críticos. Isso porque não é incomum que alguns “enófilos” sejam ferrenhos críticos ao sistema de notas (0-100) adotado em escala atualmente e, ao mesmo, tempo (contraditoriamente) são os primeiros a discutir (em disputas, às vezes até ridículas) qual é o melhor vinho ou safra a partir das notas conferidas (pontuações estas muitas vezes adesivadas na parte frontal das garrafas). Vale lembrar que tal sistema de pontuação, hoje bem usual em várias revistas especializadas, foi difundido pelo americano Robert Parker, figura controvertida (e tratado como o “Imperador do Vinho” por muitos).

 Faço – desde logo – registro da postura coerente do amigo Silvestre, que afirmou observar e estudar as avaliações de Robert Parker como referencial para a escolha de vinhos que, mais tarde, irão passar pela sua avaliação pessoal. Natural, portanto, que ele (Silvestre) adote o sistema de notas semelhante ao de Parker para as suas avaliações pessoais, numa situação em que seja bem possível opiniões não coincidentes, pois o amigo capixaba é apreciador de vinhos mais evoluídos (ou seja, com tempo de guarda em garrafa), ao passo que o crítico americano (Parker) é fã de vinhos novos, com mais potência e menos evolução (conforme confessado por ele próprio no filme MONDOVINO – vide nosso post sobre o documentário).

Sem deixar de registrar sua notória importância, tenho algumas reservas em relação à forma como as críticas de Robert Parker são comumente divulgadas, talvez mais por culpa do mercado do que do próprio crítico, pois na maioria das vezes só recebemos o resultado da sua avaliação através de adesivos em garrafas ou micro-informativos em revistas especializadas, não se sabendo o que motivou a sua nota final.

Poucas são as pessoas como Silvestre que se preocupam em ir à fonte para analisar os fundamentos lançados por Parker para suas notas, a fim de comparar com o seu teste pessoal, pois a maioria prefere aceitar o resultado e, com base nisso, defender a qualidade de vinhos e safras.

Por tal passo, brinquei com Silvestre que ele – apesar de adotar o sistema de notas – tem um estilo muito mais próximo ao de Hugh Johnson (crítico britânico). Brincadeiras à parte (natural de uma boa conversa e de algumas taças), minha ponderação se baseia no fato de que as avaliações e críticas de Hugh Johnson se fixam em informações gerais, produtores, vinhos, safras, com indicações de dados positivos (e, às vezes, negativos) que, após cruzados, permitem ao consumidor escolha e avaliação pessoal. O maior exemplo de tal postura é o seu excepcional livro GUIA DE VINHOS, traduzido em diversas línguas e que possui centenas de edições (se somados os livros publicados – mais de oito milhões de cópias por todo mundo). No Brasil, a última edição de tal livro  foi em 2008 (edição de bolso) e continua bem atual, notadamente para quem busca vinhos de guarda (como é o caso do Silvestre).

Para quem não conhece o livro ou mesmo Hugh Johnson, faço pequena resenha. De plano, vale salientar que o GUIA DE VINHOS é um dos trabalhos mais simples do britânico, responsável por obras memoráreis sobre o vinho, como é o caso de Atlas Mundial do Vinho (1971 – atualmente em co-autoria com a Jancis Robinson).  Johnson é um ferrenho crítico da forma de trabalho de Robert Parker (em especial o seu sistema de notas) e da uniformização que se tem buscado na produção de vinhos. Uma máxima sempre lembrada de Hugh Johnson é a de que “Não há grandes vinhos, apenas grandes garrafas de vinho”, pois o especialista não despreza a possibilidade de variação entre garrafas da mesma caixa [até porque uma, dentre doze, estatísticamente, apresentará alguma característica defeituosa, ainda que o vício possa ser variante (do simples ao bem grave, como é o caso do bouchonné)].

Por tal passo, o trabalho de Hugh Johnson – em seu GUIA DE VINHOS – é didaticamente construído através de verbetes variados, que indicam, por exemplo, as regiões e suas características, os bons produtores, tipos de vinhos, uvas, enfim elementos variados; todos explicados e colocados de forma harmoniosa (quase sempre com indicação de safras positivas e promissoras). Assim, quando trata de algum vinho, o crítico faz a abordagem no verbete em termos mais amplos (por exemplo: “AMARONE”), e, no mesmo verbete, já é possível extrair as boas safras e nome de produtores de respeito (muitos destes com verbetes próprios), bastando a leitura inteligente.

Apesar de não se valer do sistema de notas, Johnson entende que este seria possível num critério menos aberto do que o “0-100”, pois um vinho jovem, na sua classe, poderia receber uma ótima pontuação, mas se fosse levado para outro patamar (mais alto) a nota teria que ser alterada para baixo, pois estaria fora da expectativa que abre o novo padrão.  Por tal passo, opta pela utilização de símbolos e marcações de fácil compreensão (e adaptação aos diversos tipos de níveis de vinhos), como é o caso das estrelas de qualidade [* comum, qualidade padrão; ** acima da média; *** bem conhecido; **** grandioso, prestigioso, caro; * (estrela dourada) de bom valor em sua classe] bem assim de cores nas suas anotações [(a) as safras em negrito indicam vinhos que podem ser bebidos, (b) as safras coloridas são as que estão no ápice para o consumo no ano em curso e (c) as safras sem negrito são para os vinhos a serem guardados].

Nos verbetes de Hugh Johnson tirei dúvidas e aprendi muito do pouquíssimo que conheço do infindável mundo do vinho. O Guia de Vinhos já viajou comigo para vários lugares, sendo útil em diversas situações, pois, repito, além do exercício da crítica (no sentido de análise e opinião sobre determinados vinhos e até produtores), há uma manancial de informações que não só servem de bússola, mas de inspiração na busca da garrafa desejada (ainda que esta não esteja indicada na obra). Alguns vinhos italianos localizei a partir da conjugação da região, produtor, uva e safra, sem que constasse o nome dos vinhos especificamente no livro, como é o caso dos surpreendentes Syrah’s produzidos em Cortona (Toscana).

Dois "achados" (Syrah de Cortona) com base no cruzamento de informações do Guia de Vinhos de Hugh Johnson. Os Syrah's de Cortona são vinhos bem diferentes e com ótima relação custo benefício.

Fazendo uma comparação (não imune a críticas), as avaliações e verbetes de Hugh Johnson nos fazem meditar e aprender um pouco sobre o mundo do vinho, como se o crítico pretendesse “ensinar a pescar, ao invés de dar o peixe”. O adesivo de pontuação de 0-100 entrega ao consumidor “um peixe”, muitas vezes sem sequer contar “como foi pescado”. A responsabilidade é de apenas beber, pois o esforço de buscar a “boa garrafa” já foi feito por alguém antes que deu a nota adesivada… e garantiu que o peixe é bom.

Outros "achados" da Toscana de boa relação "custo benefício", cujo ponto de partida foram o cruzamento de informações gerais do Guia de Vinhos.

Há um bom número de pessoas que não se baseiam exclusivamente nas notas de 0-100 de Parker (ou das diversas publicações que seguem a mesma escala) e, na verdade, se utilizam destas apenas como mais um dado a ser levado em conta. Não tenho dúvidas em dizer que tais pessoas se aproximam dos conceitos de Hugh Johnson (como é o caso do amigo Silvério), sem muitas vezes se dar conta disso.

E quanto a você: quer pescar ou comprar o peixe? Amanhã cedo eu pego meu barco….

Ah, antes de partir, se você tivesse – olhando a foto abaixo –  que escolher uma safra do Tignanello,  com sinceridade qual seria a eleita? 2005, 2006 ou a (adesivada) 2007? Eu escolheria a 2006 (apesar do adesivo estampado na garrafa da safra 2007) e correia o risco de pescador…..

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Vinhos argentinos: oportunidade de degustação (GRAND CRU)

A GRAND CRU (Vitória-ES) está promovendo uma série de degustações, cuja base são vinhos de determinados países. O mais novo encontro ocorrerá no dia 21.06.2011 e terá como alvo a Argentina. Na ocasião serão apresentados (e degustados) vinhos produzidos não só em Mendoza, mas também em Salta e na Patagônia. A seleção de vinhos (importados com exclusividade pela GRAND CRU) está bem interessante, confira:

  1. San Pedro de Yacochuya Torrontés 2009 – Salta
  2. Humberto Canale Gran Reserva Pinot Noir 2008 – Patagônia
  3. Escorihuela Gascón Pequeñas Producciones Syrah 2007 – Mendoza
  4. Pulenta Gran Cabernet Franc 2007 – Mendoza
  5. Bramare de Cobos Marchiori Vineyards 2006 |- Mendoza

Eu, particularmente, sou fã de dois vinhos acima relacionados [Pulenta Gran Cabernet Franc (cuja safra 2006 foi excepcional) e San Pedro de Yacochuya Torrontés (um vinho branco, com ótima relação custo benefício, e provavelmente diferente de tudo que você já experimentou do novo mundo – confira o post do nosso blog sobre a Torrontés)].

 Seguem abaixo maiores informações do evento:

Fiquem ligados, pois ao longo do ano, mensalmente, outras degustações semelhantes serão realizadas (variando apenas o país produtor). A programação dos próximos eventos é a seguinte:

  1. Portugal (18/08)
  2. Itália (29/09)
  3. Austrália (20/10)
  4. França (17/11).

Creio que é uma boa oportunidade de conhecer vinhos, pessoas e prestigiar a interessante iniciativa.

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Vinhos de Guarda: como se conta o “tempo de guarda”? A maioria conta da data safra (certo ou errado?)

 Como todos nós sabemos, o tempo faz bem para alguns vinhos, sendo fundamental para alcançarem seus ápices. No entanto, para outros o tempo é de certa forma indiferente (o vinho pode ser consumido logo e não muda muito depois – desde que não seja guardado por longa data) e, para outros ainda, o consumo quanto mais jovem se releva como a melhor opção. Assim, o fator tempo não funciona igual em todo tipo de vinho, fazendo com que a máxima de que o “quanto mais velho melhor” seja uma imperfeita dicção. Aliás, muito pelo contrário, especialistas afirmam que a maioria dos vinhos (cerca de 90%) não melhora com o passar do tempo, havendo certo prazo de validade (embora conste em quase todos contra-rotulos o seguinte jargão: “produto indeterminado, desde que mantido em lugar seco, longe da luz e na posição horizontal”).

 Apenas para ilustrar as situações acima, vale conferir alguns exemplos:

 a)      Os vinhos da uva Gamay devem ser consumidos logo. Assim, o passar do tempo é um fator de perda de qualidade do vinho. O Beaujolais Nouveau talvez seja o exemplo mais conhecido, pois seu consumo deve ser feito até no máximo seis meses de colocado no mercado (note que seu processo de produção é curto, pois deve ser finalizado até dois meses após a colheita para ser aberto sempre na terceira quinta-feira do mês de novembro). O exemplo dos vinhos da Gamay não é único, pois a maioria dos vinhos verdes de Portugal são marcados pelo seu frescor e, assim, devem ser consumidos tão logo postos no mercado.

 b)     Os vinhos tintos jovens com pouca (ou nenhuma passagem) em madeira podem ser consumidos tão logo disponíveis no mercado (pois o produtor já o coloca em tal momento em condições ideais de consumo). Contudo, estes vinhos podem ficar guardados mais algum tempo na garrafa (de dois a cinco anos dependendo do vinho), sem prejuízo do conteúdo (o que não significa que houve evolução na garrafa). Registre-se que há casos invulgares de alguns vinhos jovens que o tempo ajudar amenizar os taninos (ou até mesmo o contato com madeira excessivo), como ocorre em tintos de uvas mais potentes (como é o caso da Tannat e, não raro, da popular Cabernet Sauvignon).

 c)      Os grandes vinhos italianos do Piemonte (Barolo, Barbaresco, Gattinara, por exemplo) e da Toscana (Brunello di Montalcino e Supertocanos de primeira linha), bem assim os grandes vinhos de Bordeaux e de Borgonha podem ser até consumidos tão logo postos no mercado, mas estará se interrompendo o processo de evolução do vinho em garrafa, já que estes vinhos continuam em franco crescimento após serem colocados no mercado, processo este que se prolonga por muitos e muitos anos (de 10 a 30 anos, em média, de acordo com a qualidade do vinho).

 Bom, muito do falatório acima é de conhecimento corrente e, por isso, nem justificaria a matéria. Ocorre que há um detalhe interessante que muitas vezes passa despercebida nos vinhos de guarda [(aqueles que mantêm uma evolução em garrafa depois de colocados no mercado pelo produtor e aqui retratados no exemplo do item (c) acima]. Refiro-me a data que deve ser fixada como ponto de partida para a contagem do tempo de guarda que o vinho possui, ou seja, quanto tempo pode ficar guardado com o consumidor até que atinja seu máximo na curva da evolução. Faço a ponderação na medida em que é muito comum as pessoas fixarem a data da safra (estampada no rótulo principal) como o ponto de partida para contagem de guarda do vinho, o que, com todo respeito, e um equivoco que pode ser grave.

 Recentemente, abri três vinhos italianos da safra 2005 – (1) Monferrato, (2) Brunello di Montalcino e (3) Amarone. Embora todos tenham raízes italianas, os vinhos são completamente diferentes não apenas em relação à região da Itália (Monferrato/ Piemonte, Brunello di Montalcino-Toscana e Amarone-Veneto), mas em especial em relação ao tempo de guarda.

 O Monferrato que abrimos possuía uma estrutura média (com passagem por 10 meses em madeira) e alguns anos em garrafa lhe deixaram perfeito para o momento da abertura – julho de 2011. No entanto tanto Brunello quanto o Amarone demonstraram que ainda não estavam no melhor momento para o “descorcho”, pois a estrutura de ambos (em especial do último) reclamava mais tempo de garrafa para se alcançar o pico da evolução.

 Ora, se todos eram da mesma safra (2005), como devemos proceder para saber se o vinho está pronto (isto e, em bom momento de evolução) ou não? Passo aos amigos uma dica de ouro: a data de inicio guarda para o consumidor não se conta da safra, mas sim da data em que o vinho foi colocado no mercado. Isso mesmo: o tempo de guarda se conta da data em que o vinho passa a estar disponível para consumo, ou seja, no momento em que o produtor o coloca no mercado.

Um dos vinhos mais afamados do mundo é o espanhol Vega Sicilia Unico, sendo um dos seus predicados a possibilidade de guarda acima de 20 anos. Ocorre que tal vinho só sai da vinícola por volta de 10 anos após a safra, pois seu processo de produção é lento e muito complexo (entre as quais passagens variadas por barricas diferentes). Neste exemplo radical, o Vega Sicilia Unico já teria consumido  longo prazo de guarda antes mesmo de ter sido colocado no mercado, o que seria um despropósito.

 Dentro da situação dos vinhos italianos que acima narrei, o Monferrato em questão entrou no mercado no ano de 2006, pois segundo sua ficha técnica o vinho saiu da vinícola em tal data (após o processo de vinificação, estagio em barris de madeira  e descanso em garrafa). Na data em que o Monferrato saiu da vinícola tanto o Brunello quanto o Amarone ainda estavam no berço da suas bodegas, provavelmente iniciando o estágio nos barris de madeira. Isso porque tanto o Brunello quanto o Amarone (feitos com as uvas da safra 2005), após o seu processo de vinificação, ficaram no mínimo (em razão da legislação que envolve sua produção) 24 vinte quatro meses dentro de barris e, posteriormente, 06 meses em garrafa (“afinamento”) antes de serem colocados no mercado. Em outras termos, quando o Monferrato foi para o mercado (2006), tanto o Brunello quanto o Amarone estavam sendo construídos nas suas respectivas vinícolas, estando, provavelmente, dentro de barris de carvalho quando o vinho do Piemonte safra 2005 debutou no mercado.

 Para os mais iniciados e em se tratando de vinhos que se submetem a legislação mais rígida, a conta fica mais fácil, pois basta recordar os contornos temporais mínimos de produção de determinados vinhos (como e o caso do Amarone  e do Brunello di Montalcino que precisam de mais de três anos da safra para chegarem ao mercado). Contudo, há muitos vinhos que não se filiam a uma legislação que permita (ao menos supor) a data em que os vinhos foram colocados no mercado e, em tais casos, a consulta a ficha técnica do vinho parece ser o melhor caminho (não tenha vergonha de pedir no momento da compra ou de assim consultar mais tarde – até porque na internet tais fichas costumam estar disponíveis).

 De toda sorte, atentos ao problema, alguns produtores passaram a adotar no contra-rotulo informação específica sobre a data em que o vinho foi colocado no mercado (diferenciado da safra para evitar o equivoco).  Um exemplo do velho mundo pode ser tirado do (bom) Ripasso Vapolicella (Soraighe), safra 2005, produtozido pela Casa Vinicola Bennati (vide acima). Na garrafa de tal vinho o contra-rótulo contém a informação da data da safra e também a do engarrafamento – 2007 (ou seja, data posterior ao processo de vinificação e passagem em madeira). A conta da guarda que faremos deste vinho será de 2007, e não da safra 2005.

Note que no contra-rótulo consta a data da safra e do engarrafamento.

 O melhor exemplo, contudo, que conheço é o vinho HENRY da vinícola argentina Lagarde, pois no seu contra-rotulo há expressa informação do período em que o vinho foi edificado e, posteriormente, colocado no mercado, com uma estimativa de guarda. Confira o contra-rótulo do vinho safra 2006:

A safra do Henry é 2006, mas o contra-rótulo informa que de tal data até 2008 o vinho estava sendo produzido (primeiro gráfico). Em seguida (segundo gráfico) o produtor indica o período de afinamento em garrafa e, por fim (no gráfico final) faz a estimativa de guarda.

Como se ê um vinho da safra 2006 (informação do rótulo principal) tem seu tempo de guarda contada em 2009, justamente por ser esta a data em que foi colocado no mercado.

 

Bom, em desfecho, o que aqui pretendemos demonstrar – numa resenha muito apertada – e que  a passagem do tempo para os vinhos funciona de forma diferente e que a contagem do tempo de guarda (para os vinhos que assim comportam) a partir da data da safra (estampada no rótulo principal) provavelmente lhe levará a projeção errada (suprimindo tempo de evolução, ou, no mínimo, tempo útil do vinho).

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